• De olho em Shakira, marcas disputam audiência após shows elevarem consumo em 130%

    A poucos dias do megashow gratuito de Shakira em Copacabana, no Rio de Janeiro, o mercado publicitário já se movimenta e uma dúvida é recorrente: dá para repetir, ou até superar, o impacto gerado por Lady Gaga no ano passado? A julgar pelo nó que o trânsito carioca deu hoje, dia 29 de abril, e pela movimentação nas redes sociais, a resposta é sim.

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    Mais do que uma aposta no espetáculo, dados do Youtube Charts, sobre os vídeos da Vevo, apontam que o verdadeiro diferencial é a forma como a audiência se comporta em relação a esses eventos. Em 2025, o show da artista não apenas atraiu milhões no momento da apresentação, como impulsionou o consumo de conteúdo em mais de 130%, além de manter a atenção do público elevada por vários dias.

    O que Lady Gaga já mostrou e o mercado não pode ignorar

    Durante o ‘Todo Mundo no Rio’ em 2025, o comportamento da audiência seguiu um padrão claro  e mensurável. Nos dias que antecederam o evento, o consumo já vinha em crescimento consistente, saltando de cerca de 1,7 milhão para mais de 2,6 milhões de visualizações impulsionado por expectativa, cobertura midiática e engajamento dos fãs.

    Esse movimento preparava o terreno para o pico, que acontece no dia do show, quando Lady Gaga atingiu aproximadamente 4,45 milhões de views, o maior volume registrado até agora dentro desse projeto. Mais do que um recorde, o dado reforça a força do “efeito ao vivo” como gatilho imediato de atenção em escala.

    O que mais chama atenção, no entanto, vem depois. Diferente do comportamento típico de ações pontuais, a audiência não despenca, ela desacelera. Nos dias seguintes, os números seguiram elevados, passando por patamares como 4,2 milhões, 3,7 milhões, 3,4 milhões até cerca de 2,5 milhões de visualizações, mantendo relevância por vários dias.

    Mesmo com a queda gradual, o consumo permaneceu acima do nível inicial de 1,7 milhão, evidenciando um efeito direto: o evento não apenas gera um pico de audiência, mas eleva temporariamente o seu patamar de base.

    A provocação: o erro não é investir, é quando investir

    Para a US Media, representante oficial de publicidade da Vevo nas Américas, o principal erro do mercado ainda está no timing. Isso porque grandes shows ainda são tratados como um único momento, quando, na prática, já operam como ciclos completos de atenção. “Quem ativa só no dia do evento entra no pico mais caro e ignora toda a construção de interesse que acontece antes e a continuidade que vem depois”, afirma Bruno Belardo, VP de Vendas da US Media.

    Segundo o executivo, os dados deixam pouco espaço para interpretação. “Quando você vê uma audiência sair de 1,7 milhão, bater mais de 4 milhões e continuar acima do nível inicial por dias, fica claro que não estamos falando de um evento, estamos falando de uma jornada de atenção. E isso muda completamente a lógica de planejamento de mídia.”

    De entretenimento a canal estratégico de mídia

    O movimento consolida uma transformação mais ampla da publicidade digital. “A música sempre teve alcance. O que mudou é que agora ela pode ser planejada, mensurada e integrada como mídia de verdade. Quando você entende o comportamento da audiência ao redor desses eventos, deixa de tratar música como contexto e passa a tratar como canal estratégico”, diz Belardo.

    Com milhões de pessoas já engajadas antes mesmo de Shakira subir ao palco, o recado para o mercado é direto: o valor desses eventos não está apenas no pico, mas na capacidade de construir, sustentar e prolongar a atenção em um cenário em que ela se tornou o ativo mais disputado da publicidade.

    Renata Suter

    Jornalista, Renata Suter é editora da Janela Publicitária

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