• Ziraldo, falecido aos 91 anos, também deixou seu traço na publicidade

    O cartunista Ziraldo, falecido no sábado, 06/04, aos 91 anos, também deixou sua marca na publicidade brasileira.

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    Nascido em Caratinga (MG) em 24/10/1932, Ziraldo se tornou carioca ao começar a colaborar com a revista O Cruzeiro, em 1957 e, depois, no Jornal do Brasil, em 1963.

    E também no Rio participou da fundação, com outros cartunistas como Jaguar e Henfil, do hebdomadário (como gostavam de se identificar) O Pasquim.

    Não vamos nem considerar os muitos cartazes para produtos culturais que Ziraldo Alves Pinto assinou, porque não haveria espaço aqui, mas a Janela saiu pesquisando na internet e conseguiu reunir trabalhos que mostram a criatividade do artista a serviço da comunicação de marketing.

    De 1982, sobreviveram imagens feitas para um calendário dos cigarros Continental:

    Infelizmente, os anos de criação de muitos trabalhos se perderam, assim como os créditos para as agências que assinaram as peças.

    Para a Sharp, o mineiro de Caratinga também criou diversas peças na série “Amigos” e também posters:

    A TAP Air Portugal ganhou o traço de Ziraldo.

    Ziraldo sempre esteve alinhado com os partidos de esquerda, e aceitou fazer cartazes para órgãos de governo e para política quando havia esta identificação, como a campanha contra o tráfico de animais silvestres para o Departamento da Polícia Federal, do Ministério da Justiça, e a campanha para a eleição de Tancredo Neves, ao final da ditadura militar.

    Ziraldo fumava. Mas no Governo Sarney, em 1987, foi convidado a fazer uma campanha contra o cigarro, a pedido do Instituto Nacional de Câncer, em 1987, divulgada nacionalmente através do Programa de Oncologia, atual Coordenação Nacional de Prevenção e Vigilância do Câncer (Conprev). E surgiram vários cartazes dizendo que Fumar é Brega, Fumar é Careta etc.

    Consta que a partir daí, ele próprio abandonou o fumo.

    Depois, o Governo Dilma também chamou Ziraldo para uma nova criação combatendo o cigarro e saiu o “Fumar fede”.

    Em 2006, o Prêmio Colunistas Rio convidou Ziraldo a criar uma marca para homenagear os publicitários cariocas que “faziam pelo Rio”. Esta marca não só virou camiseta como um enorme cartaz na entrada da festa, que aconteceu na Marina da Glória, onde os publicitários puderam também “completar” o desenho e colocar suas assinaturas:

    Em um dos seus últimos trabalhos para publicidade, em 2013, o cartunista fez uma série de imagens para o Carnaval da Boa, da cerveja Antarctica, ilustrando a criação dos designers Pedro Zuccolini e Danilo Siqueira em material de PDV e as próprias latas, que viraram objeto de colecionadores.

    E em 2022, a rede de lanchonetes Rei do Mate homenageou Ziraldo pelos seus 90 anos com uma série de copos ilustrados especialmente pelo criativo:

    Para terminar, um desafio aos leitores, já que estamos falando de publicidade.

    Em 1976, em pleno regime militar, Ziraldo publicou uma charge ironizando um outdoor que dizia “Não abra a boca”. O personagem da charge dizia “Deve ser um comercial da ‘Lei Falcão'”.

    A citada Lei Falcão, que levou este nome por ter sido assinada pelo então Ministro da Justiça, Armando Falcão, durante o Governo Geisel, proibiu a livre propaganda política — estabelecendo um sistema igualitário de apresentação dos candidatos — no rádio e na televisão.

    O que não conseguimos lembrar nem descobrir foi: realmente existiu algum outdoor assim em 1976 para algum produto?

    Se o leitor souber explicar, coloca lá nos comentários!

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    Marcio Ehrlich

    Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, Rádio Tupi FM, TV S e TV E.

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