A nova campanha global de Natal da Prada, intitulada ‘Drawing Prada: Animated by Hand’, aposta no cruzamento entre live action e ilustrações feitas inteiramente à mão. A estratégia visual coloca atores contracenando com animais desenhados, que interagem diretamente com os produtos da marca. Um grupo de ratos ilustrados rouba um sapato, enquanto um lince avalia uma bolsa e a atriz Maya Hawke caminha pela neve ao lado de uma raposa animada.
Para assinar o projeto, a grife italiana recrutou John Pomeroy, um dos nomes mais tradicionais da animação norte-americana. Com passagens marcantes pela Disney nos anos 1970 e pela Don Bluth Productions, Pomeroy traz no currículo a bagagem de produções clássicas como ‘Bernardo e Bianca’, ‘O Cão e a Raposa’, ‘Fievel: Um Conto Americano’ e ‘Pocahontas’. Na campanha de moda, o estilo tradicional do ilustrador é preservado, exibindo de forma intencional as texturas, manchas e linhas do desenho sobreposto à fotografia de Glen Luchford.
A produção visual reuniu ainda nomes como Sadie Sink, Kelvin Harrison Jr., Luther Ford e Chen Haoyu. O trabalho de direção de fotografia foi desenhado especificamente para alinhar a iluminação e o enquadramento dos atores reais aos cenários e personagens bidimensionais, garantindo a coesão espacial das cenas.
A estratégia narrativa busca conectar os produtos de luxo ao imaginário das fábulas de fim de ano, que historicamente atravessam gerações. A Prada classifica a escolha da animação tradicional como um movimento anacrônico e romântico. Para dar sustentação ao conceito, a marca também lançou um filme de bastidores que detalha o processo de produção de Pomeroy e sua equipe, transformando o método artesanal em parte do próprio conteúdo publicitário.
Do ponto de vista do mercado de comunicação, a ação reflete uma tendência consolidada ao longo do ano de 2026: a valorização do craft e do erro humano como diferenciais competitivos. O movimento dialoga diretamente com grandes cases premiados recentemente na indústria. Em Cannes Lions, este ano, o Grand Prix de Design foi para a identidade visual da Apple TV construída fisicamente, enquanto a De Longhi levou o Grand Prix de Industry Craft com dioramas em miniatura que demandaram meses de desenvolvimento manual. Mais recentemente, a Oura também seguiu por esse caminho ao construir cenários reais em miniatura em vez de apostar em computação gráfica.
Ao adotar essa abordagem, a Prada transfere o valor do design e da alta costura do ateliê diretamente para as telas. Embora o projeto aconteça em um cenário dominado por discussões sobre inteligência artificial generativa, o posicionamento da marca evita o confronto direto ou o discurso anti-tecnologia. A narrativa foca estritamente na celebração da técnica, da sensibilidade humana e do poder de contar histórias duradouras.























