A busca por uma virada no segundo turno da eleição presidencial trouxe a estratégia de comunicação para o centro das atenções no comitê de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após o encerramento do primeiro turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança, o governo federal e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) abriram discussões para reestruturar suas equipes de marketing e a própria Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). A principal movimentação de bastidores envolve a possível contratação do publicitário baiano João Santana.
Emissários da campanha já foram acionados para sondar o profissional, reconhecido historicamente por comandar as campanhas presidenciais vitoriosas do PT em 2006 (reeleição de Lula), 2010 e 2014 (Dilma Rousseff). Recentemente, nas eleições de 2026, Santana assinou a comunicação das campanhas de Ciro Gomes no Ceará e ACM Neto na Bahia.
Atualmente, o marketing da campanha petista é chefiado por Raul Rabelo – sócio de Sidônio Palmeira, atual ministro da Secom. O debate interno na comunicação divide-se em duas vertentes:
- Substituição de liderança: Uma ala defende que João Santana assuma integralmente o comando da conta e mude o tom das inserções e discursos.
- Reforço técnico: Outro grupo prefere manter a estrutura atual liderada por Rabelo, trazendo Santana apenas como um consultor estratégico ou reforço de peso na criação.
As críticas internas sobre os rumos da comunicação governamental não pouparam a Secom. Aliados de Lula pressionam por uma reformulação na pasta institucional. O nome do apresentador e jornalista José Luiz Datena (PSB) chegou a ser sugerido como uma alternativa para assumir o ministério e popularizar o discurso do governo, embora nenhuma mudança oficial tenha sido chancelada. Datena disputou uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo neste pleito, mas não obteve êxito.

Além das peças publicitárias e do rádio e TV, a equipe avalia uma mudança drástica na comunicação de conteúdo econômico para acalmar o mercado financeiro e atrair o eleitorado de centro. Está em discussão o anúncio antecipado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como o futuro ministro da Fazenda em um eventual novo mandato, acumulando as duas funções.
A medida funcionaria como um forte “fato político” de moderação fiscal para contrapor o favoritismo numérico de Flávio Bolsonaro. De acordo com informações de bastidores publicadas por agências internacionais como a Reuters, a expectativa por um ajuste fiscal movimentou fortemente o mercado após os resultados de domingo.
Com o início do horário eleitoral e a votação decisiva agendada para o dia 25 de outubro, os próximos dias serão cruciais para entender qual linha criativa e narrativa a campanha de Lula adotará na tentativa de reverter o cenário.






















