Quando um debate presidencial deixa de acontecer por causa de decisões judiciais que alteram suas regras às vésperas de ir ao ar, não estamos diante de um problema apenas de uma emissora. Estamos diante de uma questão que interessa a toda a sociedade: a liberdade de imprensa.
O cancelamento do debate da TV Globo nessa quinta-feira, 1º de outubro, portanto, não pode ser tratado como um episódio corriqueiro de uma campanha eleitoral.
Passei boa parte da minha vida profissional dentro da televisão. Conheço a responsabilidade que existe por trás de uma câmera ligada, de uma redação funcionando e de uma emissora que assume o compromisso de informar milhões de pessoas. É justamente por conhecer esse ambiente que considero necessário me manifestar.
Segundo a Globo, decisões judiciais tomadas às vésperas do debate modificaram regras previamente estabelecidas e provocaram insegurança jurídica para sua realização. Não cabe aqui discutir quem seria beneficiado ou prejudicado. A questão central é o princípio que está em jogo.
Veículos de comunicação precisam ter liberdade para exercer o jornalismo e organizar sua atividade dentro dos limites da legislação. Em uma democracia, imprensa e instituições devem conviver com independência, responsabilidade e respeito às atribuições de cada uma.
A preocupação não é isolada. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) divulgaram nota conjunta em solidariedade à TV Globo e manifestaram preocupação com a interferência judicial nas regras previamente definidas para o debate.
Debates eleitorais são espaços de interesse público. É ali que ideias são confrontadas, perguntas são feitas e os cidadãos podem conhecer melhor quem pretende governá-los. Quando um debate deixa de acontecer, a sociedade perde uma oportunidade de informação.
E é justamente nos momentos de maior tensão política que precisamos defender princípios que sejam válidos para todos.
A liberdade de imprensa não pode depender de concordarmos ou não com a linha editorial de determinado veículo. Não pode valer apenas para a emissora, o jornal ou o jornalista com quem temos afinidade.
Nenhuma empresa de comunicação está acima da lei, e a Justiça exerce papel indispensável na garantia das regras democráticas e eleitorais. Mas instituições tão importantes precisam preservar o equilíbrio entre suas atribuições.
A democracia se fortalece com debate, contraditório, circulação de ideias e acesso à informação.
Como homem de televisão, minha solidariedade neste momento é à TV Globo e a todos os profissionais que trabalham diariamente para manter a imprensa brasileira viva, plural e independente.
Defender a liberdade de imprensa não é escolher um lado político. É defender um princípio democrático que deve valer para todos.
Thomaz Naves é vice-presidente comercial e de Marketing do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC




















