• Propeg assina ação-manifesto no estádio do Bahia em parceria com a ONU, contra a violência doméstica

    A segunda edição do estudo ‘Futebol e Violência contra a Mulher’, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2026, aponta que os registros de ameaça contra mulheres aumentam 27,4% em dias de jogos, enquanto os casos de lesão corporal por violência doméstica crescem 28,8%. O futebol, obviamente, não é a causa da violência, apenas escancara ambientes domésticos que já vivem dinâmicas violentas.

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    Com esses dados, o Esporte Clube Bahia SAF, o Fundo de População da ONU (UNFPA) e a Propeg criaram a ação-manifesto para o Agosto Lilás, mês da campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A ação, ‘Terceiro Tempo’, transformou o estádio em um espaço de protesto: após a partida contra o Internacional, realizada nesse domingo, dia 30 de agosto, mesmo após a saída de campo dos jogadores e depois que os torcedores foram embora, algumas mulheres permaneceram na Arena Fonte Nova. Elas ficaram, em sinal de protesto contra as agressões.

    O grupo, formado por influenciadoras, torcedoras do Bahia, colaboradoras do clube e outras convidadas se reuniu no setor leste do estádio, e acima delas o letreiro exibiu a frase: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro do que em casa”.

    A ação divulga o disque 180, número do serviço de atendimento à mulher em situação de violência, canal de denúncias e que orienta mulheres em todo o Brasil. “Com o Terceiro Tempo, queremos fazer essa realidade impossível de ignorar, mas também levar essa conversa para dentro de um território majoritariamente masculino e falar diretamente com os homens, no espaço em que eles estão e se
    reconhecem”, explica Sabrina Mesquita, diretora de Criação da Propeg.

    Raul Aguirre, CEO do Bahia SAF, conta que a ideia é utilizar essa imagem para despertar atenção para uma realidade que se agrava em dias de jogos e reforçar que nenhuma mulher deve enfrentar esse problema sozinha. “Se o futebol tem o poder de reunir milhões de pessoas, ele também pode ser uma
    ferramenta para promover respeito, proteção e transformação social”, avalia.

    “O Fundo de População da ONU atua para prevenir a violência baseada em gênero antes que ela aconteça, e isso passa necessariamente pelo trabalho com homens e meninos. Precisamos transformar normas sociais, que naturalizam a violência, e ampliar modelos de masculinidade baseados no
    respeito, no cuidado e na igualdade”, afirma a representante do UNFPA no Brasil, Florbela Fernandes.

    A iniciativa dialoga diretamente com uma das conclusões do estudo do Fórum: a necessidade de envolver clubes, poder público, federações e torcidas em ações permanentes de enfrentamento à violência contra as mulheres. A pesquisa mostra ainda que, entre jovens de 15 a 29 anos, os
    registros de ameaça e lesão corporal aumentam 44% em dias de jogos.

    A ação inaugura uma campanha integrada de conscientização, com filmes, peças de OOH e presença no digital. As peças também reforçam a importância da denúncia e convidam mulheres e toda a sociedade a conhecer e utilizar o Ligue 180.

    Renata Suter

    Jornalista e coordenadora do Prêmio Colunistas Rio, Centro-Leste e Espírito Santo, Renata Suter é editora-chefe da Janela Publicitária

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