Um dos nomes mais importantes da comunicação, morreu, aos 87 anos, nesta quarta-feira, dia 6 de maio, Ted Turner o fundador da rede CNN, em 1980, o primeiro canal de notícias 24 horas dedicado exclusivamente à cobertura jornalística, que logo se tornou parte fundamental do cenário midiático.
“Ted era um líder extremamente engajado e comprometido, intrépido, destemido e sempre disposto a seguir seus instintos e confiar em seu próprio julgamento”, afirmou Mark Thompson, CEO e presidente da CNN, em um comunicado.
Ted Turner se transformou em um visionário da mídia, transformando para sempre o jornalismo ao fundar a CNN, quando ajudou a introduzir a TV por assinatura nos Estados Unidos, ao criar canais a cabo como TNT, Turner Classic Movies e Cartoon Network.
Mais tarde, ele se dedicou à preservação do planeta e à promoção de causas políticas progressistas, Turner escreveu sua própria versão dos Dez Mandamentos, que chamou de ’11 Iniciativas Voluntárias’, uma cópia que, inclusive, carregava em um cartão impresso na carteira; doou US$ 1 bilhão para as Organização das Nações Unidas (ONU); e passou vários anos como o maior acionista da Time Warner, onde, no entanto, foi demitido do cargo de vice-presidente pouco depois da desastrada fusão do conglomerado com a AOL.
Carismático e falastrão
Ele também foi casado com a atriz Jane Fonda, por 10 anos. Ex-proprietário do time de beisebol Atlanta Braves e velejador experiente em sua juventude, Turner venceu a America’s Cup em 1977 e, em seguida, apareceu embriagado na coletiva de imprensa, um momento constrangedor que o levou a reduzir o consumo de álcool antes de parar completamente em 2011. Um ano depois, ele contou a Stephen Galloway, do The Hollywood Reporter, que raramente se sentia deprimido, embora tivesse pensado em suicídio e recebido um diagnóstico equivocado de transtorno bipolar. Ele sofria de “um caso leve a moderado de ansiedade”, mas se gabava de um QI de 128 “.
O carismático Turner era o segundo maior proprietário de terras dos Estados Unidos, perdendo apenas para John Malone, presidente da Liberty Media, e sua fortuna era estimada em US$ 2 bilhões, bem abaixo dos cerca de US$ 11 bilhões que atingiu no auge da bolha da internet, quando a AOL usou suas ações supervalorizadas para adquirir a Time Warner na virada do século.
À época, Turner chegou a dizer que a fusão que criou a extinta AOL Time Warner foi “melhor do que sexo”, palavras das quais se arrependeria logo depois. Frequentemente descrito como imprevisível, Turner era apelidado de ‘Boca do Sul’ e ‘Capitão Escandaloso’, por buscar polêmicas com frequência, chegando a comparar o magnata da mídia Rupert Murdoch a Adolf Hitler e desafiá-lo para uma luta de boxe transmitida em pay-per-view.
Em outra ocasião, pouco depois do ataque às Torres Gêmeas, Turner descreveu os terroristas como homens “corajosos” cujas ações foram motivadas pela pobreza mundial e acusou Israel de terrorismo contra os palestinos. Posteriormente, ele explicou ambos os comentários ao The Guardian: “Olha, eu penso muito bem, mas às vezes escolho a palavra errada…sabe, eu improviso”. Audacioso desde jovem, Turner frequentou a Universidade Brown, mas não se formou porque foi expulso após ser flagrado com uma mulher em seu quarto. No entanto, ele chegou a acumular 46 títulos honorários.
“Ted foi e sempre será a alma da CNN. Ele é o gigante sobre cujos ombros nos apoiamos, e hoje dedicaremos um momento para homenageá-lo e reconhecer seu impacto em nossas vidas e no mundo”, concluiu Mark Thompson em seu comunicado.
Ted Turner sofria, há alguns anos, de Demência com Corpos de Lewis (DCL), o segundo tipo de demência mais frequente depois do mal de Alzheimer.






















