Janela Publicitária    
 
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A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes.
 

18 de junho de 2008, quarta-feira

MIDI-BOUCHE

Meia-boca. Foi assim a festinha oficial de abertura do festival, ontem, na praia do Hotel Carlton. Sim, senhoras e senhores, eu sou Press B, mas descolei meu convitinho.
E aí, claro, choveu. A água afastou um pouco a galera que só começou a chegar mais tarde. E essa primeira gala já não pega mais a brasileirada faz tempo.
De qualquer jeito eu tinha que ir lá cumprir a minha obrigação de colunista e comer e beber de graça. Mas nem isso tava valendo a pena. Foi boquinha, mas foi meia-boca.


A ENTREGA DOS PRÊMIOS DE ONTEM

RÁDIO

Cerimônia de entrega de Rádio, Mídia e Outdoor ontem, sem o Brasil no palco novamente. Bem, pelo menos hoje vai ter ouro para os brasileiros da Almap irem buscar, levaram leão pela campanha de livros de bolso da Cia das Letras.
Foi uma cerimônia morna, com alguns bons momentos esporádicos. A entrega dos leões de rádio começou com um acalorado discurso do presidente do júri defendendo o poder da categoria (foi interrompido pelos aplausos mais de uma vez) e exaltando a inovação que tinha visto aqui em Cannes.
Mas o começo da exibição das peças acabou esfriando um pouco as expectativas. O GP, entregue ao Japão por uma campanha da Dentsu para as câmeras Canon, receberam aplausos tímidos do público. As peças, todas em japonês (auxiliadas pelo texto do telão) tinham pessoas narrando momentos importantes como se estivessem passando num carro, rápido. Vendia o benefício da resposta rápida da câmera fotográfica.
Surpreendente mesmo foi a criação da Y&R Malásia para Colgate que substituiu o “piiii”, usado para censurar palavrões, por um barulho de uma escova de dentes. E adivinha quem estava de novo entre os ouros? A campanha “Real Man of Genius”, da DDB Chicago para Budweiser. Os filmes e spots da campanha estão completando 5 anos ganhando leões aqui.

MÍDIA

Em seguida, veio a cateoria de Mídia e mais um GP controverso. Duas peças favoritas acabaram não levando o prêmio máximo. O outdoor da Leo Burnett Chicago que plantou alfaces de verdade no cartaz, para as saladas de McDonald´s (ficou com 2 ouros e mais um, de prata, em Outdoor) e a campanha da belga MortierBrigade para o canal StudioBrussels. A agência colocou um menino carente entrando ao vivo em vários programas e bebendo a água que estava na mesa dos apresentadores do canal. Era um teaser. Depois, a campanha chamou a atenção para um show em benefício dos povos sem água. Ficou com ouro.
O GP acabou indo para a sueca Forsman, que criou uma campanha de cross-media para um fundo de pensão. A idéia básica: mostrar fotos de pessoas conhecidas envelhecidas na TV, mídia impressa e exterior (usando papel lenticular) e do próprio público ficando velho, na internet e no celular.
Tinha outras coisas geniais. Uns japoneses CDFs da Dentsu inventaram um plástico que vinha encartado no jornal e que fazia alguns anúncios impressos...se movimentarem! Sério, fazia uma fotos de um homem abrir e fechar a boca, franzir o rosto. Para mim era bruxaria, mas beleza. A alemã Grabarz fez uma ação bem bacana para cinema onde uma mulher grávida saía da sala de exibição dando a luz e pouco depois, aparecia na manchete do jornal Stern comercial que aparecia na telona.

OUTDOORS

Fechando a noite, a entrega dos outdoors e o GP, esse sim, já esperado, para a megacampanha HBO Voyeur (ilustração à direita), que tem tudo para levar mais coisa por aqui (cyber, titanium...)
Coisas diferentonas também. A simplicidade de uma traseira de ônibus adesivada com a frente do busão para a seguradora Central Beheer. E a HP que imprimiu e emoldurou as obras da National Gallery e espalhou pelas ruas de londres. Divertido.
Destaque também para o primeiro leão de ouro da história da China, com a campanha da TBWA para a Adidas, promovendo as olimpíadas. Na mesma noite, os chineses levaram uma prata. Só não foi o primeiro leão da história do país, como foi anunciado no Palais ontem e que mereceu aplausos ainda mais animados da platéia. Os chineses já tem um leãozinho, de bronze, desde 2006.
Bom, tô falando pra cacete aqui, mas já deve estar tudo no site www.CannesLions.com, depois você vai lá e vê.
Depois, né? Que você não vai cometer a falta de educação de deixar a coluna aqui sozinha.


PRESS LIONS SAINDO DO FORNO

O Brasil conseguiu um resultado excelente, talvez até surpreendente levando 14 leões em Press, o dobro do ano passado. Metade deles, da Almap.
O Rio conseguiu marcar presença com a Agência3, com um leão de prata para Shangri-lá que chegou a ser dito que era ouro e, antes, que tinha ganho também em outdoor. Mas essa informação não foi passada por nenhum dos jurados nem à agência, nem aos jornalistas. Enfim, boato.
A FP7 Doha, que destaquei na minha primeira coluna aqui como surpresa do festival, já havia pego leões em outdoor (ouro, inclusive) e hoje repetiu a façanha, confirmando ouro e prata em Press.
Destaque também para a criatividade indiana, que vem crescendo no festival (em Press, com campanhas, 2 ouros, 2 pratas, 2 bronzes).
Portugal levou dois bronzes e um deles tem dupla brasileira. Emerson Braga e André Lopes criaram a campanha da Anistia Internacional (ilustração à esquerda) que faturou para McCann. O texto, contra o preconceito, diz: "Ele nao fez nada, só está mostrando o número de telefone da Anistia".


CHEGANDO

Se continuar no ritmo de ganhar leões em que está, a AlmapBBDO vai se credenciar para disputar uma vaga no top 3 das agências do ano. Ou até ao título. Claro que falta jogo ainda.


NOTÍCIAS DO LE FAVELÊ

O Le Favelê, meu hotel aqui em Cannes, acaba de lançar uma tecnologia de ponta. Alertado pelo cartaz que dizia que oferecia serviço de internet wireless no quarto, pedi para comprar uma senha ou um cartão...
-Não tem senha, monsieur..
-Como assim, acabou?
- É só plugar uma ponta desse cabo aqui na tomada e a outra no seu computador.
-Mas...senhor, então não é wireless.
-Wireless, wi-fi!
-Não...se tem fio, não pode ser wireless, nem wifi.
-Oui, wireless, wi-fi, monsieur...
Achei melhor não contrariar.


MALANDRO LIONS

O leão de malandragem desse ano vai para um grupo de africanos (não a galera da agência e sim os nascidos no continente africano) que trabalha nas ruas de Cannes.
Primeiro, eles se vestem com roupas com as cores e banderinhas do Brasil e passam pelos bares e restaurantes atrás de um troquinho, tocando nos pandeiros e tambores algo um pouco distante do que conhecemos como samba. A letra era só “Capoeiraaaaaa”.
Fui lá entender.
- Vocês são brasileiros?
-Não, senegaleses, argelinos...
-E porquê se vestem de brazucas?
-Você acha que os turistas vão dar dinheiro para argelino tocando samba?
Ontem, as mesmas figuras aproveitaram a chuva e foram vender guarda-chuvas na porta do Palais. Custava 10 euricos, o grande, 5 minguelos o pequeno. E o pessoal, claro, comprando.
Pensando bem, os caras são quase brasileiros mesmo.
Não vou me surpreender se achar os mesmos caras hoje trabalhando de flanelinhas.


FALANDO EM MALANDRAGEM

Inacreditável. A Nokia, no stand dela aqui em Cannes, está emprestando por 2 horas seu novo celular com uma câmera tchananans e depois você pode passar lá e descarregar as fotinhas.
Só o que você precisa fazer é deixar o seu número de cartão de crédito num papel, você mesmo anota. E o que está acontecendo? Vagabundo está dando número falso e tchungando o apetrecho! Já tem gente usando o celular para ligar pra família e perguntar quem mais quer o telefone que filma.


UM AGNALDO AMERICANO EM CANNES

A Grey achou bacana trazer o Tony Bennet para falar nesta quarta, dia 18, sobre música na publicidade. Vou repetir: TO-NY BE-NNET. É o Agnaldo Rayol americano! Juro que não entendi. Quando fiquei sabendo ainda achei que fosse para ele se apresentar no Jimmyz, o cassino que tem aqui do lado do Palais. Mas não. Aí, Marcio Ehrlich, vai perder essa, hein?

N.R.: Pode me incluir fora dessa. Pior é o pessoal da MatosGrey, que vai ter que marcar presença... (ME)


UM ATRÁS DO OUTRO

Os dois seminários mais disputados dessa quarta são o da R/GA com a Nike e, em seguida, o da Leo Burnett em parceria com a revista Contagious que sempre traz muita coisa nova e bacana.


LUGARZINHO TOP

Um dos espaços mais bacanas do festival continua sendo o espaço Stimulibox da JC Decaux, na praia pertinho do Palais. Uma tenda com música, as últimas novidades em mobiliário urbano (tem um com máquina de café, outro com aquário...), tem Nintendo Wii liberado, champanhota (nacional) e comida à lá vonté. Servem até almoço, mas tem acabado na hora que abre o lugar, que tem tido grandes filas.
A grande comparecência (gostaram? Com-pa-re-cên-cia), acredito, tenha sido também para frequentar a praiota já que, a julgar pela moça aí da foto, está fazendo um calorão.
Gostaram do Stimulibox?


TÁ DURO

O título desta nota nada tem a ver com a anterior. É só para dizer que não é preciso ter paciência para ver o long list de Filmes. Tem que ser teimoso mesmo. Tá chato demais. O pessoal tá até sem saco de assoviar os filmes.
E não param de inventar categoria. Inventaram uma tal de “filmes para internet “ que é onde todo mundo inscreve os filmes que foram para as outras categorias pela 2a. vez. A sessão ficou tão grande que teve que ser dividida, acredite: em DOIS dias.


MOMENTO AMAURY JR.

A seção “Caras” da coluna que é o lado B do Festival flagrou essas pessoas ontem passeando pela Croissete. Se a polícia desejar mais informações, é só contactar o editor deste site através do email [email protected]

O carioca Diogo Mello, diretor de criação da Fischer Portugal de mala e tudo na frente do Palais, procurando o hotel dele em Cannes. Outro luso-carioca, Tico Moraes, diretor de arte da Partners, chegando para alguma festinha.
Olha a empolgação de Carlos Righi, da Fulano Filmes, na gala ontem. Juliana e Roberta, da Margarida Flimes, ao lado de Paulo Coelho (dir.de criação da Africa), Roberto Vilhena (Artplan), Antônia Zobaran (F/Nazca), o onipresente Accioly (também da Margarida) e Rita Durigan (Editora Referência) alguns dos poucos brasileiros a encararem a festinha oficial.


FREE SHOP

Pessoas que fingem ler a Fenêtre, escrevem elogiando e, tenho certeza, depois vão me mandar um email pedindo pra trazer muamba:

De Andre Pellenz, da Hotel Filmes
Fabio,
Estou me divertindo com sua cobertura. E a galera daqui também, você já tem uns fãs. Que querem ver fotos do seu hotel, duvidam que seja tão ruim assim.
Como diz um dos meus sócios, Corintiano roxo (toda produtora tem seus defeitos), não pára, não pára, não pára.

De Fátima Megale, da Pesquisas e Análises de Mercado (BH)
Como outros leitores, eu também estava com saudades da coluna, aliás, vai chegando junho e alguma coisa me alerta que vou me informar menos sobre publicidade e propaganda, mas sei que vou me deliciar com os textos bem humorados e criativos. Adoro essa “bobajada toda”, como se diz aqui nas Gerais.

E mais:
Mario Barreto (Imagina), André Pedroso (DM9DDB), Malu Miranda (F/Nazca), Pedro Prado (F/Nazca), Anita Linetzky (Ultra), Valeria Lima (ImageNation Portugal) e Tico Moraes (Partners Portugal), Lucas Duque (Sonido), Leo Bartoli (Publicis) e Alex Miranda (Margarida).

O redator Fabio Seidl é o enviado (com todo o respeito) especial da Janela em Cannes 2008.