Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 19/NOV/2004
Marcio Ehrlich

 

Viemos aqui para beber ou para conversar?

Publicitário carioca não gosta de assistir a palestras ou os organizadores de palestras é que não sabem atrair o publicitário carioca?
No último Festival do CCRJ em Búzios, ficou claro o fracasso da tentativa da entidade de atrair os criativos cariocas para a sua programação. Se nas próprias ruas de Búzios foram vistos este ano menos profissionais que nas versões anteriores do festival, nas palestras realizadas no Cine Bardot, então, praticamente só se encontrava jovens estudantes de comunicação.
Não foi um fenômeno isolado. Há poucas semanas, a ABAP-Rio ofereceu -- de graça -- para seus associados a oportunidade de assistir a apresentação de uma pesquisa sobre as tendências do mercado publicitário. As confirmações previam auditório cheio. Na prática, nem metade das agências associadas enviou representante.
Não é novidade que os Seminários do GAP não conseguem se viabilizar, seja com que presidente a associação esteja. A ABP, ao que parece, já se conformou. Como a programação de seu festival é um absoluto sucesso entre os estudantes de comunicação, a entidade este ano nem tentou repetir o debate entre os profissionais de criação que ensaiou em 2003.
As perdas para o mercado são evidentes. A organização da Semana Internacional de Criação, que traz ao Brasil nomes consagrados da publicidade internacional, já retirou o Rio do seu circuito. A Semana acontece em São Paulo e em Porto Alegre, mas não mais no mercado carioca.
Tem culpa quem? É verdade que os publicitários cariocas acham que sabem tudo e não precisam ouvir ninguém? Será que os donos das agências é que não querem patrocinar a presença dos seus funcionários nestes eventos? Ou o problema é dos diretores das associações, que talvez não saibam o que seus associados querem?
Se o leitor souber explicar porque ele próprio não vai a estes eventos ou achar que tem no bolso do colete a solução para mudar essa situação, escreva para a [email protected] .

Beber ou conversar - Fala o Leitor

De Luis "Guto" Costa, redator:

Como no último Festival do CCRJ, o fracasso de atrair os criativos cariocas para qualquer coisa é um processo que já vem de longa data. Como você observou - e dezenas de outras pessoas me falaram a mesma coisa, nas ruas da cidade havia menos profissionais que nas versões anteriores do festival. Praticamente só se encontrava jovens estudantes de comunicação.
O que se estranhar? Antigamente, o profissional batalhava, suava, virava madrugas e disputava acirradamente para obter algum prêmio, por menos significante que pudesse ser. Hoje, o estudante, o estagiário, o principiante já ganha prêmio antes de ser qualquer coisa. Ele já começa a futura carreira ganhando prêmio!!!! Ou seja, banalizaram de vez os prêmios. Se a categoria julga ser boa política premiar aqueles que nem fazem parte da profissão, que ainda andam de fraldas e cheiram a xixi....não há que se ficar espantado com a debandada geral dos mais sérios. O Rio perdeu lideranças, perdeu o apoio de verdadeirosa profissionais que batalhavam pelo mercado, pelo seu desenvolvimento e que criavam festivais com objetivos voltados para o negócio da propaganda, não para valorizar ou incentivar estudantes e futuros profissionais que, mesmo premiados agora, não representam nada além de "promessas". O que se vê por aí é uma geração de iludidos criativos que desconhecem a realidade da profissão e do mercado carioca, além de vergonhosos exemplos de agências que abrem e fecham, tornam-se holdings que abrigam bares e botequins....enfim, uma zona geral. Isso sem se falar nos míseros salários pagos para iludir a galera. Hoje estive com um profissional respeitadíssimo, com 4 Leões nas costas. Ele também está ganhando mal, desiludido com o mercado e, pior, com o futuro. Diante do se vê por aqui e do que foi visto em Búzios, o nosso mercado voltou ao tempo da mera quitanda. E cada dia perderá mais, como acaba de perder a reunião ABRAS e as inúmeras contas que migraram para Sampa, inclusive levando alguns dos nossos melhores profissionais.
Que Deus nos ajude.

e Thiago Valente Rolim de Macedo ([email protected] com), Estudante de Comunicação Social

Sinceramente, lamentável o artigo do Redator Luís "GUTO" Costa.
Este artigo desmascara toda a insegurança do Redator, ou melhor, a insegurança de vários profissionais da Propaganda, principalmente tratando-se dos egocêntricos e glamourizados CRIATIVOS. O Rio de Janeiro está perdendo mercado sim para São Paulo, porém não devemos nos desiludir, não deixe a sua segurança vir à tona, não mostre a sua fraqueza ao inimigo, Guto você está com tanto medo das "promessas", dos estagiários que fazem xixi.
GUTO mostre mais maturidade, não adianta nada o profissional se esconder atrás de um apelido ou uma abreviação incorporado ao nome do RG, é uma tentativa de branding frustante, não adianta nada um profissional ter quatro leões nas costas, se ele se mostra inseguro e desiludido. Afinal vocês criam para ir à Cannes ou para apresentar uma solução de Comunicação eficiente ao cliente? Deslumbrados, acho que a única palavra que encontro para classificar essa prole publicitária que vai à festival em Búzios para constatar que está perdendo o seu posto para as promessas, os mijões, os que estão na fralda. . . tome cuidado pois um dia a flor desabrocha, e não adianta se esconder atrás de "quatro leões".
Thiago Valente Rolim de Macedo

De Aldo Cesar Tinoco da Silva ([email protected]), 24 anos, estudante de Estácio de Sá.

Escrevo esta carta como uma oportunidade de esclarecer, no meu ver, alguns fatos sobre esse momento ruim da nossa publicidade carioca:
1 - É muito triste que o festival realizado em Búzios não tenha atraído profissionais, mas acredito que a presença de estudantes como foi dito seja algo negativo. Pelo contrário, é uma oportunidade que estudantes como eu que amam esse trabalho tenham contato e trocar idéias com pessoas já consagradas do mercado publicitário e também possam batalhar por chances que nos são impedidas muitas vezes.
2 - Também acredito que os prêmios dado àqueles que ainda fazem xixi nas fraldas sejam justos quando os bebês fazem jus e também queimam a cuca para ganhar um prêmio qualquer, até mesmo um estágio em uma agência, porque afinal de contas, hoje em dia tem que ter um QI que não é mental, e sim "costas quentes". A propósito, quando procuro estágio em agências e me perguntam sobre "quem me indicou" eu digo que foi Deus, o maior de todos.
Dessa forma, fico contente quando um jovem ganha um prêmio, porque podia ser eu ou alguém próximo, ajudando a derrubar essa barreira que nos impede de entrar no mercado, como se existissem pessoas que têm medo das nossas pequenas sombras. . .
3 - Todavia, concordo que é inadmissível muito profissional bom por aí que ganhe tão mal, além do fato que o mercado não deve ser prostituto, se vender por qualquer coisa a qualquer preço.
4 - A pergunta é o porquê dessa situação no mercado carioca e as possíveis respostas são as seguintes: os piores governadores, com suas táticas populistas, gerando acréscimo de violência e espantando negócios de todos os naipes (além do descaso com o setor), fortalecimento brutal de S. Paulo com políticas pró-publicidade (os incentivos também contam senhoras e senhores)e finalmente, uma falta de reposição natural de material humano, ficando apenas meia dúzia de profissionais que sustentam esse mercado, sem que possa dar oportunidades à alunos como eu, que já estão na especialização e sempre encontra as portas fechadas ou um aviso do tipo "daqui a 15 dias te ligamos" e essa ligação NUNCA é retornada!
5 - Convém adicionar que a Universidade Estácio de Sá promove há dois anos, a Semana da Comunicação, onde profissionais de Publicidade e Jornalismo, vão contar suas experiências e dar conselhos para turma menos vivida, realizando-se dessa forma uma saudável troca de experiências.
Deixo um comunicado à todos profissionais do mercado: proporcionem realmente chances para que todas as futuras promessas sejam talentos reais, haja uma oxigenação de mentalidades e juntos, possamos brigar politicamente pelo nosso mercado publicitário do Rio, para que possamos não ser apenas a outrora cidade maravilhosa, mas também a terra abençoada e guerreira nessa batalha diária da propaganda.
Aldo Cesar Tinoco da Silva

ABP escolhe os Destaques de 2004

O diretor da agência VS, Lula Vieira, foi escolhido pela ABP como o Publicitário do Ano de 2004. Ele receberá o seu prêmio no Jantar da Propaganda, que vai acontecer dia 9 de dezembro no Clube Caiçaras. Na oportunidade, quando são entregues diplomas aos profissionais da publicidade carioca que mais se destacaram no ano em curso, tradicionalmente se festeja também o Dia Latinoamericano de Propaganda, comemorado em 4 de Dezembro.
Além disso, a ABP aproveita para homenagear empresas do mercado, por seus aniversários. Este ano, estarão lá a Rádio Globo (por seus 60 Anos), a Aroldo Araujo Propaganda (40 anos) e a ESPM (30 anos).
Estes foram os demais premiados com o Destaque Profissional de 2004, pela diretoria da ABP:

Executivo de Anunciante: Alberto Blanco (Oi/Telemar)
Executivo de Agência: Gláucio Binder (Binder FC+G)
Executivo de Veículo: Paulo Renato Simões (Editora Abril)
Diretor de Criação: Álvaro Rodrigues (Agência3 Comunicação)
Redator: Rynaldo Gondim (W/Brasil)
Diretor de Arte: Marcello Noronha (NBS)
Profissional de Atendimento de Agência: Luciane Neno (Contemporânea)
Profissional de Atendimento de Veículo: Cláudio Furtado (O Globo)
Profissional de Mídia de Agência: Fátima Rendeiro (Quê/Next)
Diretor de Comerciais: Juarez Precioso (CaradeCão)
Profissional de Planejamento e Pesquisa: Betty C. Wainstock (Contemporânea)
Profissional de Fotografia: Alexandre Salgado (ArtLuz Studio)
Profissional de Produção de Som: Márcio Padilha (Zuêra Produções)
Profissional de Produção de Comerciais: Vera Oliveira (Academia de Filmes)
Profissional de Artes Gráficas: Mozart Carramilo (Gráficos Burti)
RTVC: Charles Nobili (Giovanni, FCB)
Produtor Gráfico: Gilberto Rodrigues (F/Nazca S&S)

Kaiser entrega conta para Giovanni FCB

"Se a gente não ganhar a Kaiser, eu vou querer trabalhar com cerveja de qualquer maneira".
Esta frase foi dita duas semanas atrás por Fernando Campos, diretor de criação da Giovanni FCB de São Paulo (foto), durante o Festival de Búzios, para dar a dimensão de sua empolgação pelo envolvimento que teve na concorrência pela conta da cervejaria. O esforço deu resultado. Esta quinta-feira a Kaiser confirmou a Giovanni FCB como a sua nova agência, em substituição à W/Brasil, que deixou a conta após mudanças na cúpula do anunciante.
Da concorrência pela Kaiser também participaram Age, DPZ, Takerka, Young & Rubicam e Publicis Salles Norton, ficando esta última com a conta da cerveja Bavária, por sua colocação em segundo lugar na disputa.
A verba das marcas gerenciadas pela Molson -- que inclui Xingu, Kaiser Bock e Santa Cerva -- está avaliada pelo mercado em R$ 180 milhões.

Clear Channel se expande com bancas

A Clear Channel, que detém a exclusividade para o mobiliário urbano da Zona Sul do Rio de Janeiro, passou a ocupar novos espaços na cidade com seu projeto Newsstand Media, bancas de jornal seguindo a linha do mobiliário urbano já existente na cidade. Os primeiros equipamentos já estão nos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, Tijuca e Centro.
De acordo com Thiago Senna, supervisor de Marketing da Clear Channel, os equipamentos respeitam todos os critérios de legalização, com painéis padronizados de 7,2 m2, nos quais a propaganda é exposta 24 horas por dia com iluminação "back light" e a 1,40 cm acima do chão, para não serem encobertos por veículos.

Doctor faz festa com Barra Garden

O aniversário do Shopping Barra Garden é o primeiro trabalho da Doctor para este novo cliente da agência. Na peça, um anúncio de página dupla de revista que começa a ser veiculado esta semana, a Doctor se refere ao principal concorrente do cliente, o Barrashopping, dizendo que "Enquanto milhares, milhares e milhares de pessoas pensam num outro shopping, aproveite para fazer suas compras na santa paz, conforto e tranquilidade no Shopping Barra Garden".
A criação foi de Marcos Silveira e Inácio Luís, um aluno do Instituto da Propaganda, curso criado por Silveira para complementar as técnicas de criação dos estudantes de publicidade das faculdades cariocas.
IP abre inscrições
O Instituto também está ganhando campanha da Doctor, igualmente com criação de Silveira e seu aluno Inácio Luis. Com anúncios em jornal, outdoor e mobiliário urbano, a campanha de matrícula para novas turmas do IP usa o tema "Aprenda a criar direito", referindo-se diretamente a criações duvidosas de Deus, como a barata e o ornitorrinco.
O Instituto, aliás, está crescendo. Diz Silveira que o curso começa a se expandir para Vitória e Belo Horizonte, além de ter uma nova turma especialmente voltada para anunciantes.

IP dá desconto a leitores da Janela

"Por que os celulares diminuem de tamanho se a distância entre a orelha e a boca continua a mesma?".
Escrevendo no mínimo 5 e no máximo 10 linhas sobre esse tema acima, os estudantes de comunicação do Rio poderão ganhar 5 bolsas com 35% de desconto no próximo curso do IP-Instituto da Propaganda, que começa em janeiro de 2005.
Criado pelo publicitário Marcos Silveira, diretor de criação da Doctor, o IP já está no seu terceiro ano de atuação no Rio. A partir de 2005, Silveira também levará o curso para Belo Horizonte e Vitória.
Os textos devem ser encaminhados para o e-mail [email protected]. Eles serão avaliados por este colunista e pela junta de professores do IP, selecionando para ganharem as bolsas os autores das 5 melhores respostas àquela profunda dúvida do homem contemporâneo. A melhor delas, se houver, será inclusive publicada pela Janela.
Para maiores informações sobre o IP, visite o site www.institutodapropaganda.com.br.

Bob`s se divide entre Contemporânea e NBS

A conta da rede de lanchonete Bob's está sendo dividida entre a Contemporânea -- que já atendia o cliente -- e a NBS. Segundo comunicado distribuído à imprensa pela NBS, "a divisão de trabalho será dividida passo-a-passo".
O objetivo do Bob´s é chegar a 500 pontos-de-venda em 2005.

Conta da Sendas vai para a Duda

O Diretor Geral Grupo Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, e o Diretor Nacional de Criação da Giovanni,FCB, Adilson Xavier, emitiram comunicado esta sexta-feira informando que a partir de 2005 o vínculo comercial entre as duas empresas está encerrado.
O rompimento, na verdade, já era previsto pelo mercado desde que aconteceu a fusão entre as operações da rede de supemercados Sendas com o Grupo Pão de Açucar. Segundo o comunicado, o Grupo Pão de Açúcar decidiu alinhar as operações de sua Unidade de Negócios de Supermercados de Massa, que inclui as redes Comprebem, Sendas e ABC Barateiro, sob uma única agência. Como é a Duda Mendonça a responsável pela conta da bandeira Comprebem e o principal centro gerencial do Grupo Pão de Açucar se encontra em São Paulo, esta agência passará também a cuidar da comunicação da Sendas.
Bodas de Prata
A relação da Giovanni com a Sendas chegou a superar os 25 anos. Vascaíno como Arthur Sendas e radialista com um programa de enorme audiência na Rádio Globo, Paulo Giovanni começou a sua história com aquele anunciante cuidando apenas da sua comunicação de rádio. Desde aquela época já tinha como sócio Maurício Nogueira, que hoje comanda a Giovanni Brasília.
Após deixar o microfone para se assumir como publicitário, Giovanni conseguiu crescer de importância na publicidade da rede varejista, até dar a virada com a sua associação com a MPM no que ganhou o nome de Casa Propaganda -- obviamente uma referência à expressão "house-agency", por sua exclusividade no atendimento da conta. É dessa época também o início da relação de Adilson Xavier com a publicidade da Sendas, interrompida apenas durante o período em que o criativo esteve na agência Contemporânea.
Com o fim da Casa Propaganda, a conta ficou integralmente com a Giovanni, até o final de 2000, quando a entrada de um novo diretor de marketing na Sendas -- Alexandre Fontes -- levou o supermercado a realizar uma concorrência para a escolha de uma nova agência para também atender o grupo. Na época, a Giovanni não aceitou ficar apenas com parte da conta e abriu mão inteiramente do cliente. A Sendas, mais as contas do Bon Marché e CasaShow, foram para a V&S durante todo o ano de 2001. No meio de 2001, Fontes deixou a Sendas e em 2002 a conta voltou para a Giovanni, onde ficou até agora.

Rapidinhas

* FALECIMENTO - O redator Sylvio Lima, criador do clássico "Pernas" para o depilador Walita, faleceu esta semana em São Paulo, aos 67 anos. Foi ex-MPM, Denison, Lintas e DPZ. O corpo foi cremado às 16:00h, na Vila Alpina.

* QUEM CONHECE? - É exagero desse colunista ou o novo slogan da Fiat "Nenhum carro conhece melhor essa terra" faz a gente lembrar o slogan da Volkswagen da década de 70: "A marca que conhece o nosso chão"?

Reforços

Publicis Salles Norton (Rio-RJ) - Contratou o diretor de arte David Tabalipa, ex-D+, Fischer América e Young & Rubicam e que estava na F/Nazca. (16/11/2004)