Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 03/JAN/1998
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.


Termina 1997, o ano em que varejo e imóveis tomaram conta da mídia

Demorou, mas 1997 acabou. Vá lá que a guerra continue igualzinha esta semana, mas a convenção é dividir a história a cada virada de ano. Não sei se para o leitor de propaganda esse negócio de fazer retrospectiva tem alguma importância. Como eu vejo todo mundo na imprensa fazendo retrospectivas, não poderia deixar de fazer a da coluna, se não fosse por outras razões, ao menos para parecer espírito de companheirismo com os coleguinhas.
Para o signatário, 1997 não foi tão ruim como tanta gente apregoou. O país continua buscando o seu caminho, numa época em que se eu ouvir de novo as palavras “parceria” e “globalização”, perigo sentir enjoo. Sinceramente acho fantástico poder olhar pra frente e imaginar que ainda existem tantas oportunidades de novos negócios, sem que ninguém possa ter certeza de quem vai se dar bem, já que o jogo de forças não para de se alterar.
O setor imobiliário no Rio parecia morto e de repente o mercado vê uma avalanche de lançamentos, com agências criando e veiculando. Vá lá que não com a rentabilidade de outros tempos. Mas pelo menos revivido. O varejo explodiu. O espaço que só Casa&Video vinha ocupando na imprensa ganhou inúmeras adesões, principalmente de importadoras como Barley’s e Master Price. Até um minishopping de informática estalado no Edifício Avenida Central virou anunciante regular.
Entre as agências cariocas, embora diversas tenham exibido um excelente resultado criativo, impossível não destacar, num contexto mais amplo, a DPZ, que mostrou garras e dentes como há muito tempo não fazia. Irreconhecível, a agência abriu mão do seu low-profile e comemorou o sucesso do ano com uma festa de altíssimo nível de criatividade na Fortaleza São João.
Dos anunciantes, inclusive representando o já decantado varejo carioca, o Ponto Frio merece o elogio. Fechou sua house, contratou profissionais de nome indiscutível para o seu marketing, como Mauro Multedo, Andrea Maggessi e Renato Schmeckel. E ainda incentivou sua agência a se instalar no Rio, trazendo a conta de volta para o mercado.
Claro que posso estar deixando de elogiar alguém que também merecesse palmas em pé e eu nem me toquei. Dou total liberdade aos amigos e leitores – se eles ainda estiverem no Rio e não em Búzios, de onde estou escrevendo essa coluna e pra onde parece que veio toda a população do Brasil – a me escreverem dando suas opiniões.
Mas vamos lá aos acontecimentos que mais chamaram a atenção destes colunistas quando fui revisar todas as colunas deste ano. No qual, aliás, surgiu o Janelão, a edição mensal mais recheada da coluna. E que, vale dizer, circula na próxima semana.
JANEIRO
* Mário Divo, superintendente de comunicação da Petrobras, é eleito presidente da ABM, substituindo Felice Fogglieti.
* O BNDES prorroga a definição de sua concorrência e renova suas quatro agências: Caio, Contemporânea, Denison e DPZ.
* Alteração na produtora Yes. Antônio Carlos Accioly entra para sócio.
FEVEREIRO
* A rede de varejo Paes Mendonça oficializa a JVA – que vinha lhe prestando serviços esporádicos – como sua agência de propaganda, junto com a Standard de São Paulo.
* O grupo Dreams, cliente-origem da Doctor, deixa a agência.
* A Década pega a conta da Master Price, um dos novos clientes de varejo de grande atividade no Rio.
* A ABP divulga seu prêmio Comunicação, com a F/Nazca S&S como agência e Caras como veículo do ano.
* A Casa da Criação vence a concorrência do Shopping Center Tijuca.
MARÇO
* A Giovanni briga com a Abap nacional e deixa a entidade.
* O BNDES define afina sua concorrência. Contemporânea, Denison e DPZ continuam e entra no grupo a Standard.
* A Doctor pega a conta institucional do Jornal do Brasil.
* A Fischer, Justus leva para ser um de seus diretores de criação o redator Sílvio Matos, que deixa a direção de criação da Contemporânea.
ABRIL
* O jornal O Globo tira a sua conta da Contemporânea e a entrega integralmente para a Giovanni. Mais tarde o grupo Globo passou para a Contemporânea o lançamento de um novo jornal popular, que deve acontecer em 1998.
* O Prêmio Colunistas Rio escolhe a Doctor como Agência do Ano, João Roberto Marinho Publicitário do Ano, Marcelo Giannini como Profissional do Ano, a Coca-Cola como Anunciante e a Net-Rio como Veículo.
* A Contemporânea confirma que continua como agência da Vale do Rio Doce.
* Disputando com Ronaldo Conde, o diretor o Doctor, Sérgio de Paulo, é eleito para o CCRJ, substituindo Sílvio Matos.
MAIO
* A crise na Pubblicità & Esquire, cujo fundador Franzé Martins havia se afastado das operações passando a presidência para Roberto Bahiense, fica oficial. A Esquire se separa, com Bahiense ainda no comando.
* O varejo se confirma como o grande segmento publicitário do Rio. Principalmente os shopping-centers. Para ganhar a conta do Iguatemi, a DPZ abre mão do Nova América, que vai então para a D+W.
* O redator Felipe Rodrigues deixa a Giovanni e volta para a Chris Colombo, como diretor de criação.
* A diretora da New Business, Maria Helena Araújo, assume a presidência da Ampro-Rio.
* Mário Divo deixa a Petrobras e vai para a Comunicação Institucional da Presidência, em Brasília.
* Nos preparativos do Festival de Cannes, o redator Fred Moreira, da Doctor, e o diretor de arte Guilherme Jahara, da Artplan, são escolhidos os Young Creatives do Rio, para participar de graça do evento.
JUNHO
* Na festa do Colunistas-Rio, saem os resultados do Prêmio Rogerio Steinberg. Os três primeiros lugares entre os redatores ficaram, respectivamente, com Sérgio de Paula, Marcos Silveira e Silvio Matos. Entre os diretores de arte, os prêmios foram para Paulo Brandão, Marcelo Giannini e Tico Moraes.
* Luiz Cláudio “Cacao” Azevedo volta de São Paulo deixando a sua agência Bridge, para assumir o escritório da Thompson no Rio. A produtora DC Vox muda de nome e de endereço, passando a se chamar Mr.Vox.
* O diretor geral da Standard no Rio, Sérgio Silva, deixa a agência para ser diretor de operações da Contemporânea.
JULHO
* O grupo Dreams volta para a Doctor, entregando a conta da rede de varejo Barley’s.
* A ABP comemora seus 60 anos com um baile no Canecão.
AGOSTO
* Mais um publicitário deixa a Coca. Depois de Mauro Multedo, que foi para o Ponto Frio, Ricardo Ladvocat deixa a empresa para voltar à DPZ, onde foi atender o Banerj.
* A agência Speroni abre a sua sociedade. Clóvis Speroni fica na presidência, mas entram dois ex-Ranking: Cristóvão Martins na criação e André Silveira no planejamento.
* Duas associações quase simultâneas: a D+W, de Marcelo Gorodicht, incorpora a Unità, de Luiz Carlos Lopes, levando, entre outras contas, a da De Plá; e a GR.3 absorve a Pixel, levando algumas áreas do jornal O Dia.
SETEMBRO
* A Abap-Rio aumenta a sua representatividade. Entram, como associadas, as agências Cult, Década, Doctor, JVA e Staff/CP&F.
* A GR.3 leva o diretor de arte José Luiz Vaz, que estava na Contemporânea, para dirigir a sua criação, no lugar de Carlos “Russo” di Célio, que foi para a Standard.
* A Artplan reconquista, após alguns anos, em concorrência, a conta da Telerj.
* O redator Ricardo Galletti vai para a Manchete gerenciar o departamento de comunicação.
* O redator Toni Lourenço se associa a Jonas Suassuna na Zapt, assumindo a vice-presidência de criação.
* Numa das operações mais comentadas do ano, a DPZ compra a Caio para ser a segunda agência do grupo no Rio.
OUTUBRO
* A conta da Golden Cross para a Propeg-Rio.
* A Artplan leva Otto Pajunk para dirigir sua mídia.
* Fernando Campos deixa a Giovanni para assumir a direção de criação da D+W.
* O redator José Guilherme Vereza sai da direção de criação da V&S e vai para a criação da Propeg, dirigida por Eduardo Correa. Na V&S, o praticamente recém-contratado Jorge Falsfein assume a criação.
* Roberto Bahiense desiste de tentar levar a Esquire adiante, enquanto o redator Carlos Pedrosa anuncia que deixa a Pubblicità. Bahiense abre a Roberto Bahiense Comunicações.
* O redator Ronaldo Conde é contratado para a vice-presidência de atendimento da Propeg Rio.
* O advogado Luiz Oscar Lopes renuncia à presidência do Sindicato das Agências do Rio de Janeiro em circunstâncias até agora não totalmente esclarecidas e Aías Lopes, diretor da Cult, assume o cargo.
* Durante o 3º Encontro Brasileiro de Agências de Propaganda, a Abap aprova mudanças que estabelecem federalização a entidade. Define-se também que as agências devem preferir a utilização do termo “publicidade” no lugar de “propaganda”.
NOVEMBRO
* O Prêmio Promoção Rio escolhe a Artplan como Agência de Promoção do Ano. A Tátil mais uma vez leva o título de Agência de Design. O Dia fica como Cliente de Promoção e, na área pessoa, Abel Gomes conquista o Empresário de Promoção do Ano enquanto Maria Fernanda Jorge é escolhida Profissional de promoção.
* O CCRJ lança uma nova publicação, o jornal Crio, que tem mais cara de revista.
* A novela do ano no RIO – a tentativa da Fischer, Justus de comprar uma agência no Rio para ficar perto de seu cliente Ponto Frio – teve um fim. O acordo com a D+W acabou gerando duas agências: a Fischer, Justus-Rio e a volta da D+, origem da D+W.
* A Giovanni oficializa sua negociação com a FCB, outra das novelas que trouxeram emoção e suspense entre os publicitários cariocas.
DEZEMBRO
* Começam a aparecer os resultados da venda da Caio para a DPZ. A Caio vence folgada a concorrência do Sebrae-Rio.

CARTAS

De Guto Graça, diretor da agência Commente:

Marcio querido,
O Igor falou que você estava querendo algumas informações sobre o nosso “boteco”. Vamos lá em primeira mão: O Paulinho (N.R.: “de Tarso”) não está mais aqui. No primeiro momento dividi a agência em duas: a Productofinal e a Commente. A primeira se ocuparia com o varejo e pequenas contas, ficando a Commente como uma agência de mercado voltada para contas de maior peso. Para tanto estamos com dois escritórios, pequenos é verdade, mas já é um pé em Brasília e em Buenos Aires. Em Buenos Aires já temos duas continhas e uma é da empresa equivalente à Operadora de Tráfego e Transporte de San Carlos. A verba de 300 mil/ano é “merreca”, mas vai pagando a operação. Não tenho mais nada com a Producto. Agora meu negócio é apenas com a Commente. A Producto está com o Paulinho, Marcello Campos e Luciano (ex-Ranking), e eu daqui desejo muito sucesso para eles. Quanto à Agência, fizemos o lançamento de alguns produtos para a Loterj: o filme que está no ar do Super Bilhetão e da Raspadinha de Janeiro. E entrou a conta da Bom Bom Mousse, uma pequena rede de venda de chocolates. De gente nova por aqui, a criação está nas mãos do Igor, que contratou a Franzisca como Diretora de Arte Júnior, Joana Mariani (ex-Casa da Criação e Doctor) para ser Redatora Júnior e o Juninho Adelaide como Redator Júnior. E vem mais gente em janeiro. Mudança física. Em fevereiro vamos mudar. Aqui no mesmo prédio, mas em um andar maior e inteiro nosso. Para ser mais exato são 230 m². O contrato já está assinado e a obra começa já na primeira semana de janeiro. Bem, vou ficando por aqui. Abraços, Guto [email protected]

Artplan abre vitrine de trabalhos de estudantes que querem estágio

Mais de 150 estudantes de 15 faculdades cariocas compareceram à Artplan para entregar seus trabalhos – um anúncio ou um roteiro de um comercial de 30, ambos com o tema “Por um mundo melhor” – para concorrer a duas vagas para a área de publicidade da agência. O resultado será divulgado na primeira quinzena de janeiro e os estágios são de seis meses, com o salário correspondente a um salário mínimo.
Como a Artplan tem apenas duas vagas a ser preenchidas em publicidade (há uma para jornalismo, cuja prova foi uma redação de 40 linhas com uma análise da campanha publicitária da Benetton), a agência teve a ideia de exibir os melhores trabalhos de estudantes que não puderam ser contratados no site da agência na Internet, na URL www.artplan.com.br a partir do início do ano. “Outras agências interessadas em estagiários terão assim a oportunidade de conferir o talento de alunos já pré-selecionados”, explica Marcos Apóstolo, diretor de criação da agência.

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*PARABÉNS PRA VOCÊ – A Janela se abre para comemorar os próximos aniversários do mercado:
Dia 04/01, domingo: Ana Tancredo (Operações de Diretora da ECO), Yasmin Xavier (Secretaria do Paulo Giovanni);
Dia 05/01, segunda: Alexandre Guedes (Diretor de Criação da Exemplo);
Dia 06/01, terça: Carlos Manga (Diretor da Tv Globo);
Dia 07/01, quarta: José Guilherme Vereza (Redator da Propeg-Cs), Sérgio Malta (Diretor de Atendimento da Salles DMB&B);
Dia 08/01, quinta: Márcia Ramalho (Fotógrafa), Roberto Leal (Presidente de Operações da J.Walter Thompson);
Dia 09/01, sexta: Roberto Bahiense (Presidente da Abp-Ass.Bras.De Propaganda);
*AINDA NA NOVELA “FCB” – Não é novidade para ninguém a excelente relação que existe, desde os tempos de Thompson, entre Nádia Rebouças – ultimamente diretora de planejamento da FCB no Rio (para a Giovanni), a especulação do mercado é que Nadia, que não vai para a nova agência, aceite o convite de Johnson para entrar no seu departamento de marketing e vire cliente, uma função nova na sua carreira.
* TROCA EM CLIENTE – Silvia Gonçalves de Barros, ex-gerente de produto de diversas empresas multinacionais, é, a partir deste dia 5 de janeiro, a nova gerente de marketing do BarraShopping, ocupando o cargo deixado por Luís Alberto Marinho, hoje em São Paulo.
* FESTA EM CANNES – A já tradicional festa da Editora Referência em Cannes vai ter novidades em 98. Com o apoio da DM9, a delegação brasileira vai assistir à partida do Brasil contra a Noruega, na chamada “Noite Brasileira em Marseille”. Após a partida será oferecido um jantar para os convidados. Se o Brasil ganhar, vai ser divertido cantar a Marselhesa em Marselha. Patrocinadores vão oferecer camiseta e acessórios aos torcedores.
* A BANDA – A Contemporânea foi uma das vencedoras da concorrência do consórcio Maxitel, que vai operar a banda celular B na Bahia. A Propeg também entrou na conta.
* VAMOS FAZER TURISMO – Contemporânea, Cult, Denison Rio, Giovanni, J. Walter Thompson, McCann-Erickson e Salles/DMB&B foram classificadas para a concorrência da Riotur. A V&S, que também entrou, foi desqualificada na fase de documentos, mas prometeu recorrer.