Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 14/OUT/1995
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Contemporânea vai manter ousadia para a DuLoren

A mudança de agência a duas semanas, da Mental Mark para a Contemporânea, não vai alterar a linha de comunicação ousada da DuLoren. O diretor de criação da Contemporânea, Sílvio Matos, adianta que a única diferença que haverá nos trabalhos será "a inteligência". Ele explica: "quando a DuLoren escolheu a Contemporânea, foi porque mostramos que poderíamos ser até mais ousados incluindo um pensamento inteligente".
Sílvio considera que, na campanha atual, isto aconteceu em alguns casos. "O problema é que muitos dos anúncios foram grosseiros, o que a Contemporânea quer evitar", considerou.
O tema da campanha, ­ "Você não imagina do que uma DuLoren é capaz" - vai continuar, mas como só em janeiro de 1996 os trabalhos da nova agência entrarão em veiculação, teremos que esperar três meses para checar a promessa de Silvio Matos.

Voto do público na ABP agrada mais Olivetto

Mais que qualquer outro publicitário presente na festa de entrega dos prêmios do Festival da ABP, Washington Olivetto comemorou com sorrisos de orelha a orelha os resultados do Festival. Rejeitado pelos júris oficiais em todos os Grand Prix, ele levou duas das quatro indicações de melhor trabalho pelos delegados do evento, sendo aplaudido em ovação durante a exibição e entrega das Lâmpadas (veja na matéria principal). Estes destaques, somados ao título de agência mais premiada do Festival, apagaram de longe o constrangimento de a W/Brasil ter sido responsável pela única vaia da entrega, para os comerciais de Sadol.
Terminada a festa, Washington ria e gozava os jurados que encontrava: "Se vocês criarem como julgam, daqui a pouco vão estar desempregados". Já na noite anterior, quando a organização do festival oficializou os resultados, Olivetto havia comentado com este jornalista que os júris de propaganda estão perdendo o contato com o pensamento do público, por distorção do comportamento dos novos publicitários. "Ficam todos num processo de pseudo-exaltação individual para conseguir resultados a qualquer custo para suas agências de implantação recente e nem percebem que estão colocando em risco o futuro da propaganda no Brasil", chegou a afirmar.
A tese de Olivetto é que, neste panorama crescente de alinhamentos internacionais de contas, o único argumento que nos resta para trabalharmos com as grandes multinacionais é mostrar que conhecemos tanto o nosso público que só nós podemos fazer a melhor propaganda para ele. "Se o publicitário brasileiro continuar criando para si próprio e para os festivais, logo aqueles anunciantes vão achar que não tem problema trazerem para o Brasil seus filmes criados e produzidos lá fora, desempregando muita gente aqui", explicou.
Essa é a razão de Washington prestigiar o Festival da ABP, diz ele. "É o único em que o público participa ativamente". O diretor da W/Brasil se gaba de que, desde que a agência participa do concurso, não só tem ganho o prêmio Agência, por ser a mais premiada, como o Grand Prix dos delegados.
Só o Pedrosa mesmo.
Um dos melhores momentos do julgamento na ABP foi protagonizado por Carlos Pedrosa, o sócio e vice-presidente de criação da Pubblicità.
Na abertura dos trabalhos, após a proposta de Fábio Fernandes de que se pudesse votar nas próprias peças, o júri perdeu 45 minutos discutindo até deliberar que, quem estivesse envolvido com algum trabalho, deveria ficar de fora da votação e se manifestar, para que fossem mudadas as contas da maioria absoluta.
Isto foi acontecendo até chegar à votação de um comercial da D+. Exibido o filme, Pedrosa pediu a palavra e, com aquela sua folclórica calma, declarou: "Eu queria dizer que... de certa forma... tenho uma participação... na criação deste trabalho".
Todo mundo olha pro Pedrosa espantado, imaginando que ele fez free lance para a D+, quando ele explica:
- É que o filme... é do meu filho Marcos.
Como espermatozoide não entra em ficha técnica, Pedrosa foi liberado para votar.

Gorodicht quer clientes debatendo com produtoras

O presidente da D+ Propaganda, Marcelo Gorodicht, foi um dos participantes do debate promovido pelo Clube de Criação do Rio sobre a crise na produção carioca de comerciais. É dele o texto que publicamos a seguir, escrito especialmente para a Janela:

“Com orgulho, recebi e aceitei o convite do CCRJ para participar do debate do último dia 04, entre agências (poucas) e produtoras (muitas) do Rio de Janeiro. Orgulhoso, pois entendi ter sido este convite um reconhecimento à atuação da D+ no mercado carioca.
Em função dos diversos telefonemas recebidos no dia seguinte, alguns de apoio, outros nem tanto, mas todos com um certo espanto em relação às ideias por mim defendidas, achei por bem explicá-las novamente reafirmando alguns pontos que, ao que me parecem, não ficaram bem claros e, principalmente, fazer uma sugestão. Só uma.
Pra começar, não defendo que as agências do Rio só trabalhem com produtoras de São Paulo.
Defendo que elas trabalhem com produtoras de qualquer parte do mundo que julgarem como a melhor opção a nível de qualidade e preço. É evidente que, até por uma questão de praticidade, seria bem mais interessante que a melhor opção estivesse sempre no Rio. Óbvio e melhor para todos. No caso específico da D+, mantemos parcerias e temos trabalhado com algumas produtoras do Rio (mencionadas por mim no debate) e com uma de São Paulo, a Plus Filmes. A bem da verdade, foi a Plus Filmes a primeira a acreditar na D+, bem no iniciozinho da nossa história, tendo por isso, se constituído numa grande parceira com a qual fizemos belos trabalhos, ganhamos muitos prêmios e com a qual pretendemos continuar trabalhando. Assim como pretendemos também continuar trabalhando com as nossas parcerias do Rio, tanto as atuais quanto com outras, as quais possam iniciar uma relação saudável e que gere bons frutos.
Acho que, no debate, além de se ter a lamentar a ausência de representantes de algumas agências importantes, ficou claro, pelo menos pra mim, que para o assunto ganhar amplitude, deve­se envolver também uma terceira parte, provavelmente a mais importante: o cliente. Afinal, em última análise, é quem paga a conta. Portanto, a minha sugestão é que, num próximo evento desta natureza, e eu espero que aconteçam muitos, sejam convidados também representantes dos clientes, para que estes possam emitir suas opiniões e definir suas opções.
Por exemplo, o que será que um cliente iria preferir? Uma agência que se compromete a trabalhar só com produtoras do Rio, ou outra, que se compromete a buscar a melhor qualidade e preço, seja aonde for? Vamos falar de BV na produção?
A melhora do mercado passa necessariamente por uma revolução ética, onde o princípio de tudo deve ser a transparência nas relações. Os tempos mudaram. Ou melhor, os tempos tem que mudar. Com a palavra, os clientes."
Marcelo Gorodicht

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• PARABÉNS PRA VOCÊ - A Janela se abre para comemorar os próximos aniversários do mercado: Dia 13: Amauri Nicolini (Diretor Técnico da Brainstorm); Dia 15: João Bosco Franco (redator da Contemporânea); Dia 19: Axel Chaves (diretor da Mix Marketing), Dorinho (cartunista da Editora Referência) e Jorginho Abicalil (Diretor da Tape Spot).
• NÃO É BRINCADEIRA - A Rozenlândia, rede de seis lojas de brinquedos do Rio, decidiu organizar a sua comunicação e contratou a agência Mais para desde refazer sua programação visual até planejar sua publicidade.
• DE FORA - Rynaldo Gondim está comunicando que deixou este mês a supervisão de criação da Oficina.
• CARTAS - Correspondências para a Janela devem ser enviadas para a Praia de Botafogo, 340 grupo 210, CEP 22250-040, telefone (021) 552-4141. Ou via Internet, pelo e-mail: [email protected]