Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 04/AGO/1995
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Crise na produção carioca faz Lu fechar a Claquete

A recessão pegou o mercado publicitário carioca mais forte do que se imaginava. Na semana seguinte ao fechamento da produtora de comerciais Mr. Magoo ­ dirigida por José Alvarenga Jr. e Sérgio Cardoso - a Claquete, com 15 anos de mercado e um currículo cheio de prêmios, decidiu também encerrar as suas atividades.
"Sou um homem de negócios. Decidi fechar não porque não tenha trabalhos, mas porque ter produtora é uma atividade que não compensa mais", explicou Lu Sardenberg, diretor da Claquete. Para ele, se o Brasil seguir o exemplo argentino, ainda vai demorar dois anos para a área de serviços se ajustar à nova estabilidade econômica trazida pelo Plano Real. E ele simplesmente não pretende aguardar estes dois anos. "Não posso mais ficar sem ganhar dinheiro com a produtora", ele justifica.
"O mercado de produção está cartelizado, com os profissionais cobrando preços absurdos. Os custos com eletricista e maquinista, que sempre foram insignificantes, hoje ficam na faixa de R$ 7 mil. O diretor também ganha bem. Fica só o produtor trabalhando, sem ganhar", ele protesta.
Os anunciantes cariocas também têm o seu quinhão de responsabilidade na crise. Lu aponta que, antes do Plano Real, com os orçamentos feitos em um dólar supervalorizado e com a inflação corroendo a moeda brasileira no período entre o primeiro e o segundo pagamento de cada comercial, os preços de produção se tornavam relativamente baratos. Para a produtora, o giro financeiro da primeira parcela compensava a perda com a segunda parte. A partir do Plano Real, porém, com a equiparação do real ao dólar e o fim da ciranda de aplicações, o comercial passou a custar 70 mil reais e, "quem pagava facilmente 70 mil dólares não quer mais aceitar estes custos", ele completa. No Rio, hoje se briga por diferença de R$ 2 mil em concorrências de comerciais de R$ 30 mil.
Lu Sardenberg, porém, não sai da propaganda. Ele tem outras empresas, entre as quais a JKL, uma das mais utilizadas em aluguel de equipamentos de filmagem. Mas ele quer passar adiante o excelente estúdio que mantém na Barra da Tijuca, onde funcionava a sede da Claquete. Pode até acontecer de aquela se tornar a sede de outra produtora do Rio.
O apelo de São Paulo - que tanto atrai anunciantes e criadores cariocas - também está envolvendo o pessoal de produção, José Alvarenga, um dos mais conceituados diretores do Rio, decidiu seguir um sonho antigo de tentar São Paulo como alternativa para seu crescimento profissional e não teve dúvidas em fechar a Mr. Magoo. Nos últimos tempos, ele não filmava mais que um comercial por mês. O produtor Sérgio Cardoso, seu sócio, ainda não tem destino certo.
Entre as possibilidades está assumir a gerência de atendimento da produtora 101, que acabou esta semana envolvida em boatos de fechamento, surgidos pela constatação de que seu diretor Carlos Manga Jr. está cada vez mais filmando em São Paulo e não no Rio. Ele acaba de filmar Mesbla e Antarctica, pela produtora 02, que sempre foi seu paradigma quando se referia à qualidade de produção no Brasil.
O produtor Ney Torres, sócio de Manguinha, garante que a 101 não vai fechar no Rio. Mas confirma que está efetivamente apostando mais no mercado paulista. Ele vai se associar a uma produtora de lá - que não será a Plus, como quase aconteceu. Tal como Alvarenga, Manguinha e Ney vão buscar mais em São Paulo a receita para a sua sobrevivência, vindo para cá filmar sempre que houver trabalhos. "O Manguinha é hoje um profissional super-requisitado em São Paulo. Por que nós vamos ficar sentados esperando filme no Rio?", justifica-se Ney.

O novo mercado

Os boatos de fechamento de outras produtoras também respingaram na TV Zero, na Made For TV e na Yes-Rio.
A TV Zero não fecha, mas recomeça de zero. Seu sócio e diretor de produção Renato Ferreira explica que ela se separou da Iser, uma ONG, de onde ela surgiu há dois anos, para viabilizar outros projetos. Como produtora independente, a TV Zero continuará prestando serviços ao Iser e ao mercado, produzindo musicais, publicidade e documentários.
Na Made For TV, o susto foi a saída de Paulo Peres, seu gerente de atendimento, para montar a sua própria produtora, destinada a pequenos e médios anunciantes. Mas a Made garante que continuará atuando em propaganda. Numa primeira fase, Manuel de Carvalho, seu dono, acumulará a área administrativa com a de atendimento às agências, mas a médio prazo deve ser contratado outro profissional.
Na Yes, a saída de seu fundador, o diretor Chico Abreia, deixando o negócio para voltar à Artplan, como sócio, gerou preocupações no mercado em relação à continuidade da produtora. Mas Abreia deixou a casa com Leonardo Sérvulo e Ronaldo Soares, que estão agora em esforço redobrado para comunicar às agências que continuam na ativa.
Apesar da crise, há quem queira atuar em produção eletrônica no Rio. A Plus, de São Paulo, por exemplo, finalmente decidiu se instalar neste mercado por conta própria, sem associações. Ela abre aqui ainda neste mês de agosto, dependendo apenas de encontrar uma casa para se instalar. O responsável pela Plus no Rio já está contratado. Será André Pellenz, um dos novos diretores do mercado carioca.

Venda da GR.3 para Propeg entra em compasso de espera

Vivendo ainda o trauma de uma separação recente - o fim de sua sociedade com Luís Grottera -, Gustavo Bastos, presidente da GR.3, acabou adiando a batida do martelo na venda de 30% das ações da agência para a agência baiana Propeg, capitaneada por Rodrigo Sá Menezes.
Gustavo teme que uma nova mudança na marca da agência ­ que nasceu BR.3 e teve que mudar com a associação anterior - poderia comprometer a sua imagem. Por isso, ao contrário do que fez no passado, gostaria de passar por um período experimental de fusão, assinando, em vez de GR.3-Propeg logo no início, simplesmente "GR.3, uma agência do Grupo Propeg".
Esta solução, porém, não é a preferida por Rodrigo Sá Menezes, que, em São Paulo, por exemplo, ao seu unir a Jacques Lewkovicz e a Luís Lara deu para a agência o nome de Lew, Lara, Propeg.
Beneficiada por um forte apoio político no atual governo - Rodrigo e Antônio Carlos Magalhães são amigos de longa data - neste ano de decisões de contas publicitárias federais é importante para a Propeg voltar a se instalar no Rio, onde esteve por muitos anos. Apesar de ser um publicitário com um perfil muito voltado para o negócio da propaganda, Rodrigo sempre foi um forte incentivador da criatividade na sua agência, jamais tendo se ausentado dos resultados das principais premiações nos mercados em que atua: Bahia, São Paulo, Pernambuco e Brasília. Por várias vezes a Propeg foi Agência do Ano no Nordeste, além de já ter conquistado este título nacionalmente.
A fusão com a GR.3 conviria a ambos, dando a Gustavo Bastos um alcance nacional que dificilmente ele conseguiria sozinho e à Propeg novamente uma base criativa no Rio, já que a GR.3 foi a 7ª agência mais premiada no último Colunistas-Rio.

CCAA desativa house e vai para Giovanni

Decidido a se dedicar a partir de agora à sua atividade principal - o ensino de línguas - o CCAA entregou na última semana a sua conta publicitária para a Giovanni. Segundo Waldyr Lima Filho, diretor geral do CCAA, o setor de propaganda da empresa se restringirá, a partir de agora, à preparação de materiais didáticos, como apostilas e vídeos...
Sexto maior franqueador do Brasil, com mais de 600 unidades espalhadas pelo Brasil, o CCAA deve mobilizar no próximo ano uma verba de US$ 3 milhões para a comunicação. A campanha que está sendo desenvolvida pela Giovanni só entrará em veiculação em 1996, quando começarem os preparativos para a volta às aulas.

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• PARABÉNS PRA VOCÊ - A Janela se abre para comemorar os próximos aniversários do mercado. Dia 04 (HOJE): Eduardo Cunha (Década), Marcos Pedrosa (D+) e Gilberto Garcia (Contemporânea); Dia 05: Pedro Nonato (Década); Dia 06: Mauro Salles (Salles) e José Antônio Leão Ramos (Leão Ramos); Dia 07: Jonas Suassuna (Zapt), Cristina Bueno (Norton) e Sílvia Dias de Souza (colunista); Dia 09: Roberto Civita (Abril); Dia 10: Luís Paulo Montenegro (Ibope) e Mauricio Costa Leite (Ferrari).
• VEICULO ANUNCIANTE - A GR.3 acaba de conquistar a conta dos Classificados JB, que estava na McCann, agência que continua com o institucional daquele veículo. A outra parte da conta do JB, a do cartão de assinantes, está com a Norton.
• NOVO EMPREENDEDOR - O redator Sérgio de Paula acabou não ficando na V&S. Ele está agora em processo de montar a sua própria agência.
• CASO ANTIGO - O diretor de arte Adhemar Campos não ficou muito tempo parado, depois que deixou a Grottera pela segunda vez. Ele começa na próxima semana na Cult, levado por Ricardo Galletti, com quem trabalhou na fase da Grottera, Langoni. Da Cult, aliás, saiu, por ter pedido demissão, o diretor de arte Victor Kirovsky.
• JOVEM SENHORA - Até semana que vem, a Slopper define a agência vencedora da concorrência pela sua conta publicitária, avaliada apenas para este segundo semestre em torno de US$ 300 mil. Estão no páreo Casa da Criação, Denison, Giovanni, GR.3 e a J3, agência que vinha cuidando da conta até agora. A Slopper, uma das mais tradicionais lojas do Rio, quer renovar a sua imagem junto ao consumidor carioca.
• HOME SWEET HOME ­ Enquanto não se instala em sua nova produtora, Paulo Peres não quer perder o contato com o mercado. Ele liberou o telefone de casa para quem quiser encontra-lo. É (021) 266-0505.
• ATENDENDO MUITO - A V&S está com novos supervisores de atendimento. Maurício Cabral entrou na agência para cuidar, entre outras contas, de Telerj e Bloch, e Elsa Felix de Mesbla e Supermercados ABC.
• CARTAS - Correspondências para a Janela devem ser enviadas para a Praia de Botafogo, 340 grupo 210, CEP 22250-040. Tel.: (021) 552-4141. Ou via Internet, pelo e-mail: [email protected]