Hoje, dia 24 de fevereiro de 2026, completa um ano da morte do Marcio – Ehrlich. Ele, que deu vida, personalidade e tornou a Janela Publicitária seu legado, deixou um mercado inteiro surpreso com a notícia naquela segunda-feira, um ano atrás.
Quando pensei em registrar esse dia de maneira leve, com a “cara” do Marcio, decidi pedir a pessoas de quem ele gostava – e que a recíproca era e continua a ser verdadeira – para responder: o que faltou dizer para o Marcio, o que você gostaria de dizer e jamais disse?
O resultado foi exatamente aquele que eu imaginei: emoção, risos, lembranças e saudades.
Armando e Tiago Ferrentini – Prêmio Colunistas e Propmark
“Marcio, não lembramos se algum dia tivemos a oportunidade de te dizer que você sempre teve uma grande qualidade de aceitar e gostar de desafios. Dois grandes momentos foram marcantes para nós neste aspecto. Em Cannes, no início dos anos 1990, você conseguiu transformar em realidade uma newsletter diária que era entregue logo pela manhã na porta do Palais aos brasileiros que iam chegando. Numa época que não havia sequer Internet. Você montava a newsletter na véspera e levava o arquivo em disquete para impressão num birô no centro de Cannes que também foi você quem descobriu. A semana inteira do Festival você se desdobrou nessa missão e deu certo. Tão certo que repetimos a dose nos anos seguintes só que com mais páginas. Afinal, você era incansável.
Outro momento foi a introdução por você do Prêmio Colunistas na era digital. Criou por conta própria um software para as inscrições quando já não dava mais para o Prêmio continuar com as inscrições em papel. Você, de novo, foi lá e fez.
Em sua homenagem, neste ano de 2026 demos mais um salto no Prêmio Colunistas. Seu software evoluiu para uma versão em nuvem com as inscrições sendo feitas via Internet e até por celulares! Você estaria orgulhoso da gente!
Fica aqui nosso agradecimento a tudo que você fez sempre com muita dedicação e entusiasmo. Esteja em paz!”
Adonis Alonso – Blog do Adonis
“Precisei de alguns minutos naquele 24 de fevereiro do ano passado para aceitar que o Marcio havia partido. No final de um curto trajeto, dirigindo, recebi o segundo telefonema com a notícia. Era verdade. Tinha falado com ele 15 dias antes, como fazíamos periodicamente, por conta do Colunistas e da nossa atividade no jornalismo publicitário. Também precisamos de alguns anos para perceber que pensávamos a profissão da mesma maneira. Com lealdade, trocávamos informações e sempre com crédito, repetíamos nos nossos sites as mais relevantes. Ainda é difícil acreditar que se foi tão cedo e sem um motivo compreensível. Marcio é pauta quase obrigatória nas minhas atuais conversas com Renata, que continua seu legado, com muita competência. Ele sempre vai fazer falta.”
Álvaro Rodrigues – Agência Made
“O que eu não disse o suficiente – e deveria ter dito – é o óbvio, que nem sempre a gente fala em vida: “Muito obrigado, Marcio”. Obrigado por ter sido um dos maiores impulsionadores e defensores do mercado carioca e, principalmente, dos talentos do Rio. Você foi o LinkedIn do nosso mercado antes mesmo de o LinkedIn existir: conectou pessoas, abriu caminhos, exportou talentos e brigou para que o nosso mercado tivesse a luz que sempre mereceu. Tive a honra de agradecer também de forma pública, como presidente da ABP, quando lhe entreguei o prêmio Destaques especial, na festa dos 80 anos da entidade. Você, que destacou tantos, mais do que merecia ser destacado. Todo profissional que começou aqui, permaneceu aqui ou ganhou o mundo levando o DNA carioca carrega uma gratidão eterna por você. A minha é imensa. Lembro até hoje de uma foto em preto e branco no Monitor Mercantil anunciando minha primeira movimentação no mercado. Aquilo foi você. Obrigado por tudo o que fez por mim e por um mercado que é único e que não terá outro igual a você.”
Antonio Jorge Alaby Pinheiro – Grupo de Mídia do Rio de Janeiro (GMRJ)
“Meu amigo, eu sempre te dizia que você era a história viva do mercado publicitário carioca. Eu acho que não cheguei a dizer que você era a história viva da minha história no mercado. A Janela nasceu quando eu ainda me preparava para entrar na faculdade e já acompanhava a Janela, desde o início, e foi assim durante a vida inteira. As nossas conversas, as nossas divagações sobre o futuro do mercado sempre foram muito prazerosas. Eu sinto uma puta falta disso.”
Bruno Pinaud – Agência Brick e Clube de Criação do Rio de Janeiro (CCRJ)
“Eu dei a sorte de ter dito tudo. Já agradeci e já briguei com ele. Sempre fomos excessivamente francos. E sempre nos resolvemos por isso. Marcio já teve a oportunidade de não ser legal comigo e foi um lorde. E já teve a oportunidade de me consultar, mas a pressa foi mais rápida e me quebrou. Mas sempre nos resolvemos. Ele era um dos meus malvados favoritos. E sempre reforcei pra ele a importância que ele tinha. Isso em 2003, não foi recente.”
Bruno Richter- Agência Camisa 10
“Marcio, meu amigo, faltam palavras pra agradecer tudo o que você representou pra gente nesses últimos 20 anos. Obrigado de coração pela moral, pelo carinho e por cada oportunidade dada à Camisa 10. Você faz parte da nossa história.”
Glaucio Binder – Agência Binder
“Acho que tive uma boa oportunidade de falar o quanto ele foi importante para o nosso mercado naquele discurso na festa do Colunistas em 2024. Mas acho que o mercado carioca inteiro deve um OBRIGADO maiúsculo para ele. E eu devo um obrigado pela amizade, pelos incentivos, pelos puxões de orelha e pelos momentos divertidos que compartilhamos.”
Gustavo Bastos – Agência Onzevinteum
“Eu gostaria de ter dito o quanto ele foi importante na minha vida, o quanto a nossa amizade além da vida profissional sempre foi motivadora para fazer mais e melhor. Ele sabia disso, mas acho que eu poderia ter dito mais vezes, deixado claro o impacto dele na minha vida, profissional e além.”
Jomar Pereira da Silva Roscoe – ABMN
“Estive com Renata e Marcio no Planetário, quando ele foi homenageado pela Associação Brasileira de Marketing e Negócios (ABMN). Na hora dos agradecimentos, Marcio me incluiu em seu discurso, afirmando que mantinha leitura da minha coluna no Globo, a Panorama Publicitário, como referência. Não tive oportunidade de lhe agradecer, na ocasião. Faço agora com uma afirmação, Marcio foi o colunista da era digital, o melhor de todos. Obrigado por tudo que realizou pelo mercado publicitário. E por mim.”
Klecio Santos – Holding in.Pacto
“Já faz um ano…e ainda é difícil acreditar. Que falta você faz. Falta a tua voz firme, teu olhar crítico e, principalmente, a tua disposição de jogar luz sobre o mercado – seja divulgando boas iniciativas, seja cobrando, sem medo, a voracidade de alguns tubarões que insistem em esquecer o valor da ética e da boa comunicação.
A Janela Publicitária, sob tua condução, foi muito mais do que um veículo. Foi espaço de memória, de crítica, de provocação e de defesa da publicidade brasileira. Você ajudou a contar — e a construir — boa parte da história do nosso setor.
Tua trajetória segue sendo inspiração para quem acredita em um mercado mais transparente, mais inteligente e mais humano.
Mas sabe o que eu sempre quis te dizer e nunca tive a oportunidade?
Na verdade, era um convite. Queria muito ter te chamado para emprestar tua voz a uma campanha nossa – especialmente aí no Rio – já no nosso formato digital.
Então deixo aqui a pergunta que ficou faltando:
Marcio…topas gravar para uma das empresas da Holding in.Pacto?”
Márcio Borges – WMcCANN
“Marcio, meu xará, sempre serei eternamente grato por você ter sido incansável na defesa do mercado e sem dúvida gostaria de ter dito que você é e será uma liderança inesquecível para mim.”
Paulo Castro – JOR
“Marcio, apesar de sempre ter reconhecido o seu trabalho incansável em defesa do mercado do Rio, talvez tenha faltado te dizer isso diretamente e com mais ênfase: o mercado do Rio tinha em você o maior protetor e o maior incentivador de nossos feitos e conquistas.”
Pedro Portugal – Agência Kindle
“Marcio, seu trabalho sustentou o mercado carioca quando poucos ainda acreditavam em nossa potência. Aliás, é a noção de ser alguém potente que justifica a prepotência clássica do publicitário. No seu caso, ela sempre foi suavizada pela justiça de quem, de fato, fazia acontecer. Não faltou dizer nada: você sempre foi gigante e, honestamente, sempre soube disso.”
Phelipe Pógere – Agência Brick e Sinapro RJ
“Eu gostaria muito que você tivesse aceitado meus convites para um almoço, uma visita à agência, gostaria de ter me aproximado mais. Apesar de algumas ideias diferentes, tínhamos o mesmo ideal de defender e valorizar o mercado e nossas ideias.”
Renata Suter – mulher do Marcio, editora da Janela
“Há uns 10 dias eu estava ouvindo a música ‘Exagerado’, do Cazuza, e me dei conta, quase 10 anos de convivência diária com você depois, que aquela é a música que te descreve, a ‘melô do Marcio’. Você era o próprio exagerado – sem que levem cada palavra ao pé da letra -, intenso, com pressa de viver e que, curiosamente, descobriu que a tranquilidade da maturidade também podia fazer você feliz. Essa intensidade faz falta e vai continuar a fazer, basta ler o que tantos escreveram aqui. Se você tinha alguma dúvida, passe, a partir de hoje, a ter uma certeza: você vai estar pra sempre na lembrança de cada um de nós.”
Ricardinho Weitsman – Artplan
“Marcio, não posso contar. Não adianta insistir porque não vou falar.”
Cara, como ele conseguia saber de tudo que estava acontecendo antes de todo mundo? Essa falta de resposta, mas com a certeza de saber que ele sabia, efervescia o mercado. Era uma parte importante para a propaganda do Rio continuar pulsando. E é isso que eu gostaria de perguntar: como? E possivelmente ele iria me responder: “Ricardinho, não posso contar. Não adianta insistir porque não vou falar.” E eu iria entender, assim como ele sempre me entendeu.”
Vitor Barros – Propeg
“Faltou eu dizer uma coisa pro Marcio. Que ele deveria ter sido um conselheiro independente e permanente da ABAP Nacional, por defender o mercado publicitário buscando sempre que agências e anunciantes fossem transparentes, mas principalmente justos no modelo de contratação e remuneração. Ele entendia que o pilar básico era uma remuneração justa pois possibilita agências a contratar mais e melhor, criando de fato um trabalho mais criativo e relevante para as marcas.”
Wanderley Gonçalves – Estúdio Nova Onda
“Um ano sem o Marcio: um jornalista criativo e insistente que nunca soube ser pouco, porque sua marca sempre foi o excesso de vida.”
Foto de abertura desta matéria feita por Al Hamdan.



















