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PERFIL
Gustavo Bastos, diretor da 11:21, movido a ousadia.

Por Renata Suter

Gustavo Bastos
Gustavo Bastos, movido a ousadia.
Ousadia é a palavra que move o publicitário Gustavo Bastos. Na semana passada, ele arriscou mais uma vez, desafiando a atual crise política e financeira que o Brasil atravessa, num anúncio de página dupla, e outro de página simples, no jornal O Globo, com o título: "Antes de conhecer a 11:21, nossos clientes pensavam que eram pequenos". A agência, longe de ser uma poderosa multinacional, mostrava que é capaz de fazer a diferença.

"O objetivo com o anúncio era conquistar novos clientes. Aprendi que o mercado de publicidade do Rio de Janeiro não é para quem fica parado", afirma Bastos, craque em peças publicitárias de oportunidade - que sempre caracterizaram o jeito carioca de fazer propaganda.

Esse espírito divertido e brincalhão, que Gustavo sempre fez questão de preservar ao longo das mais de três décadas como publicitário, conquistou um dos maiores mitos do mercado, o D da DPZ, Roberto Duailibi. "Trabalhei durante quatro anos com Gustavo Bastos, num período fértil da nossa agência e de grande agitação no Rio. Ele era atrevido e traduzia como poucos o espírito carioca. Usava um jogo de palavras perfeito! E isso era condição sine qua non para trabalhar comigo", elogia Duailibi, que lamenta: "No entanto, características como essas, hoje, estão sendo rejeitadas pelo mercado."

Isso não assusta Bastos, que, acima de qualquer coisa, ainda se diverte criando: "O meu hobby é propaganda." Justamente ele, que antes de se decidir pela profissão, foi DJ em boates e festas e pensou em outra carreira: a administração de empresas. Mas Pedro Paulo Christofaro, sócio de seu pai Oswaldo Bastos, num escritório de advocacia, viu em Gustavo o talento necessário para que ele tentasse a publicidade. A Faculdade Hélio Alonso foi então a escolhida por aquele que viria a ser, pouco tempo depois, um dos garotos-prodígio da propaganda carioca.

Do estágio conseguido na Salles D'Arcy com a ajuda de Christofaro, passando pela VS Escala, até a DPZ, onde começou como redator e chegou a diretor de criação aos 22 anos de idade - o mais novo da propaganda brasileira em uma grande agência -, foram apenas três anos.

Gustavo foi, com apenas 25 anos, presidente do Clube de Criação do Rio de Janeiro, numa elogiadíssima gestão. De 1990 a 1992, Bastos presidiu a entidade, criando o primeiro anuário de propaganda do Rio e um jornal próprio. Mas o marco principal de sua administração foi o Clube do Futuro, que continua a todo vapor até hoje, conseguindo estágios para estudantes de publicidade.

A presidência do CCRJ o ensinou a driblar egos e a lidar com críticas nem sempre positivas dos profissionais do mercado. Apesar da gestão produtiva e elogiada, anos mais tarde Gustavo voltou a se candidatar à presidência do mesmo Clube de Criação, mas foi derrotado por Sílvio Matos. Ironicamente, porque foi considerado, pelos eleitores de Matos, como representante de uma geração mais velha!

31 X 1

Gustavo Impellizieri de Moraes Bastos nasceu no Rio de Janeiro em 21 de março de 1965, filho de Oswaldo Bastos e Eliana Impellizieri. É casado há 16 anos com Alessandra Sadock. O casal tem dois filhos, João, de 9 anos e Júlia de 7. De seu primeiro casamento com a médica paulista Ana Clara, nasceu Clara, de 21 anos.

Marcelo Bastos, Kiki Bastos, Gustavo Bastos e Alessandra Sadock
Marcelo, Kiki e Gustavo, todos Bastos, com Alessandra Sadock. Na pérgola do Copa.
Alessandra, diretora de criação da Artplan, explica o sucesso da parceria em casa e fora dela: "Nossa relação tem muita admiração de um pelo outro. Admiração profissional e admiração do caráter, das escolhas e do jeito de ver a vida. É muito bom poder caminhar ao lado dele."

Ambos garantem que não há competição entre os dois: "Respeitamos o sigilo de cada um e dividimos o prazer", diz Bastos, enquanto a mulher afirma que "realmente não existe competição. Um torce muito pelo outro. Aliás, trabalhar no mesmo mercado é uma sorte, podemos até ir juntos a Cannes", brinca.

O balneário francês aliás, é uma das cidades preferidas de Gustavo, que já recebeu diversos prêmios no famoso festival que acontece por lá. Quando o casal não pode ir para Cannes, diverte-se em outra das cidades favoritas de Bastos, o próprio Rio de Janeiro. Fazem as malas, se despedem dos filhos e rumam para o paraíso - quase - particular do publicitário, o hotel Belmond Copacabana Palace. "Sempre tive uma ligação com o Copa por causa da história do lugar, que acho interessantíssima. Depois, em 2002 e 2003, quando era sócio da 100%, e o hotel foi nosso cliente, aí mesmo que não saio mais de lá."

Num rápido balanço, pesando o bom e o ruim de sua carreira, Gustavo Bastos é objetivo: "Está 31 a 1 para o lado positivo", se referindo aos 32 anos que trabalha como publicitário. O único ano ruim foi o de 1998, quando fechou sua primeira agência, a GR3 - antes BR3 - e seu sócio, Marcos Frauches, deixou a sociedade levando o principal cliente, a Ultralar - que, aliás, faliu três meses depois. "Foi a tempestade perfeita!", lembra.

Gustavo Bastos e José Guilherme Vereza
Gustavo Bastos e seu sócio na 11:21, José Guilherme Vereza
Apesar da forte repercussão do fim da agência, Bastos não se apavorou e conseguiu negociar a venda do que restou da GR3 para a DPZ. Coincidentemente, a agência comprou também a Caio na época, levando junto a conta da Casa&Vídeo, que fez questão de ter Gustavo à frente da conta.

No ano seguinte, Bastos abriu com Juan Vicente e Pedro Nonato a 100%. Cinco anos depois, vendeu a agência e abriu com Ronaldo Conde e Manoel Arthur Villaboim a 11:21, que mantém até hoje em sociedade com o redator José Guilherme Vereza.

E Gustavo adianta para a Janela uma novidade: em um mês a dupla pretende aumentar o número de sócios. Convidaram dois funcionários chave - um de atendimento e o outro do financeiro -, que Gustavo não quer adiantar os nomes, para se juntar a eles. Além de estimular a equipe, Gustavo e Vereza poderão também se dedicar mais à área de criação da agência.

No fundo, Gustavo Bastos é o mesmo de 32 anos atrás, quando se apaixonou pela propaganda. Ainda melhor: aprendeu que a ousadia é seu combustível e sua principal aliada.

(Renata Suter - 05/04/2016)

 
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