Foi a partir de junho de 1977 (ou seja,
há quase 30 anos), através
da própria Janela Publicitária,
que me meti no colunismo especializado
em publicidade.
Vivíamos naquela época
em outro século, quando tela era
um lugar onde só se lia legenda
de filme. Mouse era apenas o sobrenome
do Mickey. E a Janela era uma coluna publicada
somente às sextas-feiras no jornal
carioca Tribuna da Imprensa.
Tanto tempo depois, acho que ainda me
divirto com o que faço. Aliás,
sempre procurei me divertir, experimentando
o que fosse possível na área
de comunicação. Me divertindo
assim acabei sendo jornalista, publicitário,
desenhista, relações públicas,
músico e ator. Tudo de carteirinha.
Além de ter me formado pela UFRJ,
como Médico Psiquiatra. Afinal,
judeu da minha geração ou
virava médico ou engenheiro.
Enquanto Deus ou a violência urbana
não me pararem, eu me dou o direito
de ir aprontando.
Para ser preciso com a história,
estou na área de comunicação
desde 1969, quando publiquei a minha primeira
história em quadrinhos, uma tira
diária chamada "Sir Lancelot",
na Tribuna da Imprensa. Tempos emocionantes,
em que antes de se publicar alguma coisa
ela tinha que ser aprovada pelos censores
que a ditadura militar mantinha dentro
do jornal. Tive várias tiras impedidas
de serem publicadas. Apesar de que nunca
soube se a pedido dos militares ou dos
leitores.
Não só a Tribuna teve coragem
de publicar meus cartuns e quadrinhos.
Veículos como O Cruzeiro, O Pasquim
e o Jornal de Ipanema, entre outros, também.
Só que naquele tempo eu me assinava
"Cid" e "Marcio Sidnei".
Cartunista no Brasil jamais poderia se
assinar "Ehrlich".
Uma coisa leva a outra, quando me dei
conta estava mais escrevendo do que desenhando.
E não escrevi só sobre publicidade,
mas também sobre histórias
em quadrinhos e sobre vídeo games,
na coluna Vídeo Guia do jornal
O Globo, por exemplo. Fui parar também
na televisão. Quem tem mais de
35 anos deve até já ter
me visto na TV E (Programa Intervalo),
TV S (Programa de Domingo) ou TV Bandeirantes
(Programa Propaganda & Mercado). Ou
me ouvido pelo rádio, na Panorama
FM e na Jornal do Brasil AM (Programa
Marketing e Publicidade).
Filho de uma professora de música,
e sendo um garoto que amava os Beatles
e os Rolling Stones, não lutei
no Vietnam, mas tive minha banda de rock,
"Ted, Al & Cid", em que
eu e dois argentinos íamos atrás
de onde o povo estava. Ainda que fosse
no puteiro Scandinavia, da Praça
Mauá. Entre um strip-tease e outro,
o público tinha que nos aturar.
Mas nós três mantínhamos
a nossa dignidade. Jamais tiramos a roupa.
Música é talvez a expressão
de maior entrega de um artista. Foi um
momento feliz. Até hoje não
sei como, chegamos a tocar até
nos programas "Alô Brasil Aquele
Abraço", da Tv Globo e "Onda",
da Tv Tupi. Alguém se lembra da
Tupi? Mas nunca cheguei a gravar um disco.
No máximo, vivi aos 20 e poucos
anos a honra de o Maestro Paulo Moura
ter orquestrado uma trilha minha para
desenho animado (que bem merecia se descobrir
que fim levou). Entre os músicos,
estavam Wagner Tiso no teclado e Robertinho
Silva na bateria. Ambos, do Som Imaginário,
banda da qual imagino que os velhos hippies
se lembrem.
Durante um tempo, pra soltar meus bichos,
subi muito no palco como ator, tentando
botar em prática um pouquinho do
que aprendi em aulas maravilhosas com
monstros como Cecil Thiré, Bia
Lessa, Sérgio Brito, Domingos Oliveira,
Wolf Maia e Marcio Vianna.
Graças à
TV Globo, vale dizer, passei a dar mais
valor às profissões de médico,
advogado e delegado. Se elas não
existissem não sobrava papel pra
mim nas novelas da casa. Galã, nem
pensar.
Lá mesmo na Globo
fiz especiais como "Todas as Mulheres
do Mundo" e "Contos de Verão".
E também um Você Decide dirigindo
por Carlos Manga Jr.. Além de participações
em "O Amor está no Ar"
(Aron Salem), "Malhação"
(Dr.Anselmo), "Explode Coração",
"Quatro por Quatro", "Pátria
Minha", "Olho no Olho" (Dr.Germano),
"Deus nos Acuda", "De Corpo
e Alma", "Pedra sobre Pedra"
(Van Damme), "O Dono do Mundo",
"Barriga de Aluguel", "Araponga",
"Lua Cheia de Amor" e "Rainha
da Sucata" (Vidigal). A primeira novela,
que eu não esqueço, foi "Pantanal",
na Manchete, fazendo um piloto que contracenava
com Cláudio Marzo.
Como nem só de televisão
vive o ator, fiz em teatro "Dólar,
I Love You", de João Bethencourt
e "Inspetor Geral", numa adaptação
de Domingos Oliveira. Fora infantis como
"Robin Hood" e outros que eu nem
ousaria citar.
Pra pagar o pão
light de cada dia, também bato ponto.
Sou atualmente diretor de planejamento da
Dinâmica Promoções,
especializada em Marketing Promocional.
Por dois anos e meio, na década de
80, cumpri a minha cota de trabalho em agência
de publicidade, como atendimento e gerente
de comunicação da V&S.
Eu mesmo não posso
ter certeza se adiantou alguma coisa, mas
tenho tentado fazer algumas coisas -- que
pelo menos eu acho -- boas para ajudar o
mercado carioca, até mesmo dentro
de suas associações. Fui diretor
da ABP-Ass.Bras.de Propaganda, da ABM-Ass.Bras.de
Marketing, diretor de eventos da Abap-Rio
e presidente da AMPRO-Rio, a Associação
de Marketing Promocional. Do GAP-Grupo de
Atendimento e Planejamento, fui um dos fundadores.
Estou atualmente como vice-presidente executivo
da Abracomp-Ass.Bras.dos Colunistas de Marketing
e Propaganda e coordenador nacional do Prêmio
Colunistas. Aliás, às vezes
me sinto meio jurado profissional de publicidade.
De premiações de propaganda,
acho que já participei de no mínimo
200 julgamentos, não só do
Colunistas. Provavelmente poderia estar
no Guinness, se "jurado de propaganda"
fosse uma categoria.
É isso, acho. Só
pra terminar, de todas as coisas que fiz,
as que mais curto ter posto no mundo foram
minha filha Lena, exímia sapateadora
e profissional de promoções,
e meu filho Leo, um fantástico baterista
e assistente de direção de
arte na AgênciaClick. A quem desejo
muito que possam curtir a vida de uma forma
tão plena quanto tenho tentado. |