Quem me deu essa dica foi um amigo jornalista, editor da Martins Fontes, nascido em Belém e recém chegado de 16 anos vividos em Portugal. Combinamos de ir lá e furamos tantas vezes que eu acabei indo sem ele pela primeira vez, depois do vernissage do Anish Kapoor no CCBB.
O lugar tem seu charme. Um pequeno bar, aberto faz pouco tempo, na Barão do Flamengo, mais perto da praia do que do Largo do Machado. Poucas mesas dispostas em um salão de pé direito alto, dominado por uma foto enorme da orla do Flamengo antes do aterro. Do lado de fora, na calçada, mesas e bancos altos, de 2 lugares.
O som contribui para impregnar o Bar Mofo com uma aura de nostalgia carioca. Choros, sambas e canções de outros tempos, em que brilhavam astros como Dick Farney, Orlando Silva, Francisco Alves, Cartola, Noel Rosa e Carmem Miranda, entre tantos.
O chopp é ótimo, bem tirado e em boa temperatura. Mas o diferencial são mesmo as caipirinhas. Feitas de saquê, vodca ou cachaça. Você escolhe. São 7 sabores: graviola, abacaxi com hortelã, uva com manjericão, goiaba com requeijão, fruta-do-conde, melancia com hortelã e morango com gengibre. O mais legal é que no Bar Mofo você pode optar por um Mix de todos esses sabores, que vêm juntos numa tábua, em copinhos de 100ml.

Para beliscar, uma novidade nesse tipo de bar informal (apesar da óbvia informalidade): espetinhos diversos. Pedi um inusitado espetinho de kafta do qual não me arrependi. São 20 sabores, como este que aparece aí na foto. Tem também pastel, inclusive doce, raro de se encontrar em bares. Ideal para curar laricas noturnas.
Bom, está dada a dica. Agora desenferruja, levanta dessa cadeira e vai tirar o bolor no Bar Mofo. Eu recomendo.
Bar Mofo
Rua Barão do Flamengo, 35
Flamengo – Rio de Janeiro
(21) 2179-8284
O lugar perfeito para um happy hour bem animado é a primeira filial no Rio do Ovelha Negra. Um bar de Porto Alegre, pioneiro no Brasil em só vender champagne – idéia inspirada nos botecos de Barcelona. Você encontra champagnes, vinhos espumantes, prosecos, cavas e moscatéis de todos os tipos, de todas as procedências e de todos os preços. Em taça ou garrafa, que vem para a mesa geladíssima, dentro de um balde com gelo. Também servem água, que é para combater o fogo da galera.
O Ovelha Negra fica num casarão centenário em Botafogo, na rua Bambina, onde já funcionou uma carvoaria e hoje está totalmente preservado. O pé direito é alto, sem forro, deixando o telhado exposto, e as janelas são feitas com grossas pedras de granito. A decoração despojada e moderna do interior acompanha o estilo. Nas duas laterais do salão, várias mesas com bancos no lugar de cadeiras. No centro, um mega mesão coletivo alto serve a vários grupos ao mesmo tempo. No fundo, um balcão bem grande, onde fica o caixa e uma enorme banheira daquelas antigas, com pernas. Dentro da banheira ficam as garrafas enterradas no gelo para serem retiradas facilmente antes de consumidas.

O público que freqüenta o Ovelha Negra é bem eclético. Em geral, um pessoal acima dos 25 anos, que trabalha pra caramba e quer relaxar curtindo um happy hour longe dos botecos onde só se encontra chopp e cerveja. A exclusividade da champagne dá uma selecionada no ambiente, que é sempre muito agradável. Gente bonita de todas as idades. Pessoas alegres e felizes sob o efeito de suas taças borbulhantes. Pelo estilo da bebida, o lugar é o preferido do público feminino, que chega em bandos. Ela amam champagne!
Infelizmente, só abre de segunda à sexta das 17hs às 23hs. Se você já tiver entrado, ótimo, dá para ficar até depois da meia-noite. Caso contrário, às onze em ponto eles fecham a porta e ninguém mais entra.
Uma dica matadora para pedir, e rezar para que eles tenham, é o cava (espumante catalão) Codorníu Pinot Noir brut. O primeiro cava rosé espanhol todo feito com uva pinot noir. Sabor espetacular! Vale a pena.

Para não ficar bebendo de barriga vazia, eles servem comidinhas leves como sanduíches e tábuas de frios e queijos.
Mas fique atento: muita gente chama o Ovelha Negra de champanheria, o que não está de todo errado, mas tome cuidado para não confundir com o “Xampanheria”, bar de Impanema. Que igualmente só serve champagne, mas é freqëntado por outra tribo, mais “comportada”.
Ovelha Negra
Rua Bambina, 120
(21) 2226-1064
Botafogo – Rio de Janeiro
A Urca é mesmo um bairro muito especial do Rio. Não é de se admirar que morar ali seja quase uma religião, uma filosofia de vida, que ela tenha adoradores em vez de moradores. Casas em estilo europeu, poucos prédios, a mesma rua para entrar e sair, talvez a melhor vista da Baía de Guanabara e a segurança de ter um quartel do Exército como vizinho. Sem favelas, sem violência, sem confusão.
Mas estes não são seus únicos predicados. A Urca também abriga um simpatissíssimo bar sexagenário, aberto em 1940: o Bar Urca, uma pérola do Atlântico – se me permitem o trocadilho. Fica num sobrado de esquina, bem na frente da entrada do Forte São João. Em baixo funciona o bar, onde os clientes são servidos no balcão, e no andar de cima fica o restaurante, que abre de terça a domingo para almoço e jantar.

Do balcão do bar pode se ver o sentinela do quartel a postos em sua guarita, com certeza martirizado por não estar tomando uma Original estupidamente gelada – como a que eu tomei no último domingo, enquanto vigiava a entrada do Forte e a mansidão do mar da Urca.
Nos fins de semana, a mureta do calçadão vira extensão do bar e obriga o garçon a atravessar a rua para deixar todos os clientes satisfeitos, num vai e vem de sardinhas fritas, pasteizinhos de camarão e bolinhos de bacalhau. Muitos moradores levam seus próprios bancos e cadeiras de praia e usam engradados para apoiar copos, pratos e garrafas.
A especialidade da casa comandada por três gerações de Armando Gomes – avô, filho e neto – são frutos do mar frescos com “dedicação de culinária caseira” (segundo o site do próprio Bar Urca).
No balcão, a pedida são os petiscos para acompanhar a cerveja. Em especial, a sardinha frita, que é barata e tem uma grande saída. No restaurante, a caldeirada de frutos do mar faz sucesso com quem a experimenta.
É por esta combinação de localização alto astral, comida fresca e saborosa e atendimento de primeira que, apesar de discreto e escondido, o Bar Urca tem uma legião de freqüentadores assíduos e está sempre entre os melhores do Rio.
Bar Urca
Rua Cândido Gaffrée, 205
(21) 2295-8744
Urca - Rio de Janeiro
Uma dica legal no Rio é o Da Graça, que abriu há menos de um ano no Horto e já conquistou o título de “o melhor para ir a dois” da Veja Rio.
Imagine um misto de bar e restaurante, num sobrado quase centenário, que fica de frente para o Jardim Botânico, numa rua residencial, com vista para o Cristo. Se fosse mais ou menos já estaria bom, mas a comida é ótima, a decoração é muito descolada e o atendimento é pra lá de simpático. O ideal é ir num dia de céu estrelado, sem nuvens, e ficar na calçada, que é muito mais descontraído e de onde se aprecia melhor tudo o que a casa tem a oferecer.
As paredes são revestidas de papel de presente, relicários e imagens diversas. Velas, cortinas de pedrinhas e luminárias com flores de papel crepom ajudam a criar um clima. E até o banheiro não escapa. As paredes são forradas de mangás, as famosas HQs japonesas. Vale a pena fazer um pit stop só para conferir.

Da cozinha saem comidinhas interessantes, baseadas na tendência que vem tomando conta do Rio, a Comfort Food – pratos que fazem tão bem à alma quanto ao estômago. Bolinhos de aipim com ovas de salmão, tapioca de shitake, bobó de camarão servido no coco verde, carpaccio de chocolate com sorvete e outras novidades.
Eu experimentei o falafel, bolinhos de grão de bico fritos, servidos com pão sírio, salada e um molhinho de tahine (feito a base de gergelim). O deles é muito bom, eu recomendo.
Para beber, há uma carta de vinhos bem razoável, que foi originalmente assinada pelo diretor de Mondovino, Jonathan Nossiter. Serve também Bohemia, Cerpa e Devassa em versão long neck. Mande vir logo um balde com várias para não ter que ficar pedindo toda hora.
Os politicamente corretos que me perdoem, mas tem um garçom anão que atende pelo apelido de Gigante. Não é piada. O cara é super gente fina e quando perguntei seu nome ele disse todo orgulhoso: Gigante. Aliás, essa é uma ótima dica. Todo garçom fica muito mais solícito quando você pergunta o nome dele. Não deu outra. Meu balde de Devassas loiras não ficou vazio a noite inteira.
Da Graça
Rua Pacheco Leão, 780
(21) 2249-5484
Jardim Botânico – Rio de Janeiro
Outro dia, revendo fotos de uma viagem a Barcelona, lembrei de um boteco imperdível de lá, o El Xampanyet.
Não dá pra não ir. Até porque fica a poucos metros do Museu Picasso, programa obrigatório na cidade. Minha sugestão é que você passe uma tarde descobrindo que Picasso aos 16 anos era hiper-realista (alguns quadros dele parecem fotos) e depois emende o happy hour no Xampanyet.
O lugar é despretensioso e totalmente local, tocado pela mesma família desde a década de 30. Não é um bar da moda, mas enche nos horários de pico e você tem que disputar um lugar no balcão. Trata-se de um autêntico bar de tapas, aquelas pequenas porções de tira-gosto que são deliciosas e substituem com louvor qualquer refeição.

A especialidade do catalão El Xampanyet são as tapas de frutos do mar em conserva. Os melhores que já comi na minha vida, sem exagero. Anchovas, mexilhões, mariscos, vôngoles, amêijoas e alguns moluscos aos quais você nunca foi apresentado, mas que terá o maior prazer em conhecer. Há também toda a sorte de tapas: azeitonas gigantes, jamon serrano (pata negra) e butifarra, que é o chouriço espanhol.
Para beber, o mais indicado é pedir cava, uma variedade de espumante próprio da Catalúnia (clique aqui para saber o que é). Mas eles têm uma sidra de fabricação caseira, que eu recomendo. Quando fui ao Xampanyet pela primeira vez saí de lá com 2 garrafas desta sidra na mochila e várias outras na cabeça.
Fique atento aos horários. Eles abrem ao meio-dia e, como todo bom espanhol, fecham para a siesta entre 16h e 18:30. E não vão até muito tarde, o expediente encerra às 23:30.
El Xampanyet
Montcada, 22
(93) 319 70 03
Bairro Gótico - Barcelona


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