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Cleverson Valadão: “Sindicato dos Publicitários fecha em dois anos”

Cleverson Valadão
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Com uma despesa mensal de R$ 30 mil, o Sindicato dos Publicitários do Estado do Rio de Janeiro não sobreviverá sem a contribuição sindical, que pode passar a ser facultativa com a nova lei trabalhista em tramitação no Congresso.

O alerta é de Cleverson Valadão Ridolfi (foto), que há mais de 20 anos participa da diretoria da entidade, inclusive tendo passado 18 anos como presidente, função hoje de Roberto Souza Monteiro, da WMcCann.

“Publicitários não se interessam em participar das atividades sindicais”, admite o dirigente, que conseguiu, há poucos anos, ampliar o escopo do Sindicato — originalmente municipal — para todo o Estado do Rio de Janeiro, como forma de evitar o surgimento de um novo sindicato em cada cidade fluminense.

Cleverson até admite que o novo projeto venha realmente a modernizar a legislação trabalhista brasileira e que o país tenha se excedido na criação de sindicatos. “17 mil é muita coisa”, lamenta. Mas ele mantém a esperança de que o presidente Michel Temer venha a vetar a cláusula que retira a obrigatoriedade de recolhimento de um dia de salário dos trabalhadores. “Se não, fecham todos os sindicatos, federações e confederações do país”, alerta. Atualmente, do valor recolhido compulsoriamente pelas empresas, 60% vão para o sindicato da categoria, 15% para a Federação Nacional dos Publicitários (presidida por Murilo Coutinho há mais de 30 anos) e 5% para a Confederação, que nem a Federação sabe informar quem comanda. Os 20% restantes ou vão para as centrais sindicais ou para o próprio Governo Federal.

Publicidade já terceiriza faz tempo

A discussão acontece exatamente na véspera do prazo final para que as empresas recolham o imposto sindical de 2017 de seus funcionários. “Só no final da próxima semana vou saber quanto entrou este ano”, adianta Ridolfi, que prevê aquela sobrevida de dois anos porque garante ter uma administração comedida: “Aqui não esbanjamos com carros e viagens, e conseguimos guardar uma reserva”.

A situação do Sindicato dos Publicitários se agrava pelas características do mercado, no qual a terceirização já é realidade há muito tempo, via contratação dos profissionais melhor remunerados como Pessoas Jurídicas. Para piorar, a crise está deixando muita gente na rua sem salário, para sequer poder retirar uma diária dele para o Sindicato:

“Estamos fazendo homologação diariamente nos últimos meses. São agências demitindo e, pior, várias delas fechando”, lamenta o dirigente, que foi funcionário da agência J.Walter Thompson, que também encerrou as suas atividades no Rio de Janeiro.

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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