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BB decide suspender concorrência suspeita

Banco do Brasil

Já houve desdobramento pela denúncia da Folha de S.Paulo de saber o resultado antecipado da concorrência do Banco do Brasil, vencida pela agência Multi Solution. A diretoria do banco anunciou que a licitação foi suspensa e o caso será apurado.

(Atualização: inicialmente, circulou que o BB cancelaria a concorrência. Mais para o final do dia, o banco emitiu comunicado de que ela não estaria “finalizada” e seria feita uma investigação.)

A decisão pode acabar não punindo ninguém dentro do Banco, mas já deixou o mercado publicitário punido duas vezes. A primeira, pela desconfiança que passou a ter na seriedade da comissão de licitação do cliente. A segunda, porque, se efetivamente ocorrer o cancelamento total, todas as agências que participaram da disputa terão que recomeçar do zero, investindo novamente valores que, segundo o executivo de uma grande agência, acostumada a participar destes processos, pode ficar entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, “sem contar com o timesheet das equipes de criação, midia, planejamento etc. envolvida no job”.

A agência Multi Solution, esta tarde, antes de saber do cancelamento da concorrência, emitiu comunicado à imprensa, se posicionando sobre a licitação:

“A Multi Solution é reconhecida por construir grandes cases no setor privado e está comemorando 20 anos de atividades em 2017. Cumprimos todas as exigências da licitação do Banco do Brasil e vencemos com trabalho sério e competente. Esperamos agora ter a oportunidade de desenvolver projetos diferenciados e inovadores, como está em nosso DNA, também no setor público, com parte da conta do Banco do Brasil.
Pedro Queirolo, CEO da Multi Solution
Especulações

O nome da agência Multi Solution foi provavelmente o mais falado no mercado publicitário nas últimas horas, com várias tentativas de entender como ela conseguiu superar, no quesito de criatividade, pontuações de agências tradicionalmente premiadas em concursos publicitários.

O que uma pesquisa mais detalhada no Google levantou é que Pedro Queirolo seria amigo pessoal de Cléber Faria, sobrinho e ex-sócio de Walter Faria no Grupo Petrópolis, dono da marca Itaipava, que teve a sua conta por vários anos naquela agência. Queirolo e Faria são fãs do automobilismo e, eles mesmos, pilotos. Ambos já lideraram competições nacionais como a Itaipava GT3. A agência deixou de atender a conta, depois de vários anos, por uma cisão que teria havido entre Cléber e seu tio Walter.

A Itaipava, como delataram executivos da Odebrecht, teria sido usada para fazer pagamentos de propina, por conta da construtora, na campanha ao Governo do Estado do Rio de 2014, vencida por Luis Fernando Pezão. Na ocasião, a Petrópolis teria doado R$ 6,6 milhões ao comitê financeiro do PMDB, além de outros R$ 4 milhões à direção estadual do PMDB do Rio, presidido por Jorge Picciani.

No Banco do Brasil, o atual presidente Paulo Rogério Caffarelli foi indicado pelo PP. Mas o PMDB esteve presente até recentemente na diretoria. O presidente da área de capitalização era Márcio Lobão, filho do peemedebista Edison Lobão, senador pelo Maranhão. Ambos envolvidos na Lava-Jato.

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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